Meu Deus eu Creio, Adoro, Espero e Amo-Vos. Peço-Vos perdão para todos aqueles que não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam.

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25 abril 2018

NECESSIDADE DA PERSEVERANÇA - SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO

São Bernardo, Nossa Senhora e o Menino Jesus. Alcançai-nos Mãe da Perseverança a graça da fidelidade até o fim.


Qui autem perseveraverit usque in finem, hic salvus erit “Quem perseverar até o fim, será salvo” (Matth. 24, 13).

Meu irmão, puseste agora mãos à obra; começaste a viver bem. Dá por isso graças ao Senhor. Lembra-te, porém, que ao que começa a recompensa é apenas prometida, mas é dada somente ao que persevera até ao fim. Quantos começarem bem, talvez melhor do que tu, mas depois acabaram mal e agora ardem no inferno! Para obteres a perseverança, deves em primeiro lugar pedi-la a Deus, e de teu lado deves empregar os meios mais apropriados.

São muitos os que começam, diz São Jerônimo, mas são poucos os que perseveram. Um Saul, um Judas, um Tertuliano começaram bem, mas acabaram mal, porque não perseveram no bem. Devemos saber, continua o mesmo Santo, que Deus não pede somente o começo de vida boa, mas quer também o fim: o fim é que alcançará a recompensa. — Diz  São Boaventura que a coroa se dá somente à perseverança: Sola perseverantia coronatur. Pelo que São Lourenço Justiniani chama a perseverança porta do céu: coeli ianuam. Ora, não poderá entrar no paraíso quem não der com a porta.

Agora, meu irmão, abandonaste o pecado, e crês com razão ter recebido o perdão. És, pois, amigo de Deus; sabe todavia que não estás ainda salvo. E quando estarás salvo? Quando tiveres perseverado até ao fim: Que perseveraverit usque in finem, hic salvus erit.

Começaste a viver bem: agradece-o ao Senhor; mas avisa-te São Bernardo que a recompensa celeste é somente prometida ao que principia, mas é somente dada ao que persevera. Não basta olhar só ao fim: é preciso ir após ele até alcançá-lo, segundo a expressão do Apóstolo: Sic currite, ut comprehendatis (1) — “Correi de tal modo que o alcanceis”.

Já meteste a mão ao arado, principiaste a viver bem; mas agora, mais do que nunca, teme e treme: “Empenhai-vos na obra de vossa salvação com temor e tremor” (2), diz o Apóstolo. E por quê? Porque se olhares para trás — o que não permita Deus! — e voltares para a vida de pecado, Deus te declarará excluído do céu: Nemo mittens manum ad aratrum et respiciens retro, aptus est regno Dei (3) — “Nenhum que mete a sua mão ao arado e olha para trás é apto para o reino de Deus”.

09 junho 2017

A HUMILDADE - SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO

Jesus Manso e Humilde de Coração, tornai meu Coração Semelhante.

A HUMILDADE - SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO

Segui o exemplo de Sta. Catarina de Senna. Quando era tentada de vanglória, humilhava-se; e quando acometida de desânimo, confiava em Deus, pelo que o demônio lhe disse um dia com raiva: “Maldita tu e maldito quem te ensinou esse meio de me vencer. Não sei mais como te apanhar”. — Assim, pois, quando o inimigo vos disser que para vós não há perigo de cair, tremei, pensando que, se Deus vos deixa um instante, estais perdidas. Quando fordes tentados de desânimo, dizei com Davi: Senhor, pus em vós todas as minhas esperanças, confio que não serei confundido, privado da vossa graça e feito escravo do inferno.

Considerai-vos como o maior pecador que existe na face da terra. As almas verdadeiramente humildes são mais esclarecidas da luz celeste, e como conhecem melhor as perfeições de Deus, também vêem melhor as suas misérias e os seus pecados. Dai vem que os santos, cuja vida era tão exemplar e tão diferente da dos mundanos, se diziam, não por exagero, mas com verdadeira convicção, os maiores pecadores do mundo. — Assim se julgava S. Francisco de Assis. — S. Tomas de Vilanova era continuamente assaltado de temor, pensando, dizia ele, nas contas que havia de dar a Deus pela sua má vida. — Sta. Gertrudes considerava um milagre não se abrir a terra debaixo de seus pés, para engoli-la por causa de seus pecados. — S. Paulo eremita derramava lágrimas, dizendo: “Ai de mim pecador, que não mereço ter sequer o nome de monge”. — O bem-aventurado padre Mestre Ávila refere a este propósito que uma pessoa de grande virtude, tendo rogado a Deus lhe fizesse ver qual era o estado de sua alma, obteve a graça pedida e a viu tão disforme e abominável, embora só tivesse cometido pecados veniais, que exclamou: Senhor, por misericórdia, tirai-me de diante dos olhos essa figura monstruosa.
Guardai-vos, pois, de vos preferir a quem quer que seja. Basta um julgar-se melhor do que os outros, para se tornar o pior de todos, assegura Trithemio. Assim também basta que alguém creia ter grandes merecimentos para perder os que tem e não ter mais nenhum. O principal merecimento da humildade consiste em crer um sinceramente que não tem nenhum direito adquirido e que não merece senão afrontas e castigos.

31 maio 2017

OS PROTESTANTES, SEUS ÍDOLOS HOMENS E SUAS CRENÇAS EM ENSINAMENTOS HUMANOS



OS PROTESTANTES, SEUS ÍDOLOS HOMENS E SUAS CRENÇAS EM ENSINOS HUMANOS

Em conversas com protestantes, notamos que nenhum deles sabe explicar o motivo pelo qual acreditam na Bíblia ou porque consideram que a Bíblia seja a palavra de DEUS.

Vivemos em um país de cultura cristã. Muitos dos protestantes que conhecemos vieram do catolicismo. Crescemos assimilando mesmo inconscientemente que a Bíblia é a palavra de DEUS e que Jesus Cristo é o nosso salvador e filho de DEUS pai.

A maior parte das pessoas conhecem estas verdades mas não sabem explicar porquê.

Quando um católico é interpelado por um protestante o primeiro raramente percebe que o debate é conduzido pelo segundo partindo da premissa de que tudo deve ser explicado pela Bíblia. Poucos notam a sutileza. E por que ?

Porque nós católicos crescemos e vivemos com informações da Igreja Católica de que a Bíblia é a palavra de DEUS e que Jesus Cristo é filho de DEUS pai e nosso Senhor e Salvador.

Por causa da cultura assimilada vinda do catolicismo, a princípio estamos dispostos a escutar todos que nos chegam falando bem da Bíblia ou de Jesus.

Assim, quando algum protestante parte do princípio de que tudo tem que ser explicado pela Bíblia, a maior parte dos católicos não consegue notar que o palestrante nem mesmo sabe porque alguém deve acreditar na Bíblia ou que não consegue provar que a Bíblia é a palavra de DEUS ou que ela é a única fonte de revelação.

Como o debate geralmente é iniciado pelos protestantes com verdades que conhecemos e logo a seguir com meias verdades que não percebemos, fica fácil conduzir o católico ao terreno que é favorável a ideia que se pretende vender e que geralmente é retirar o católico da única Igreja fundada por Jesus Cristo para conduzi-lo a uma seita protestante da qual o palestrante faz parte.

Sr. Católico, antes de vocês responder as perguntas do protestante, você deveria primeiro questionar-lhe a respeito da Bíblia. Primeira pergunta que deve ser feita ao protestante:

28 abril 2017

A MULHER FORTE, QUEM A ENCONTRARÁ?

Família Martin


Mulierem fortem quis inveniet? Procul et de ultimis finíbus pretium ejus. 
Confidit in ea cor viri sui, et spoliis non indigebit: Reddet ei bonum et non malum, omnibus diebus vitae suae. 

Quem encontrará a mulher forte? Ela é mais preciosa que as pérolas que vêem das extremidades do mundo. O coração do seu marido põe nela inteira confiança e não terá necessidade de riquezas estranhas. Ela dar-lhe-á o bem e não o mal durante os dias da sua vida.
(Prov., XXXI, 10-12)

Senhoras.
“Qualquer escrito divinamente inspirado, é útil para instruir e para ensinar, a fim de que nos façamos perfeitos, e próprios para todas as boas ações.”[1]

A Sagrada Escritura, dizem os Santos Padres, é como um vasto prado, esmaltado de flores, onde as plantas mais formosas, mais variadas, de mais admirável matiz, crescem e se desenvolvem para agrado da vista, preparando para os dias do outono, saborosíssimos frutos. Com efeito, nada há mais profundo que o ensino das Divinas Escrituras, nada mais belo, mais simples, e, ao mesmo tempo, mais gracioso.

As palavras dos livros santos têm um sabor particular, uma luz que lhes é própria, uma claridade e um calor, que penetram de certo modo, que atraem o coração por um movimento, tão doce quanto enérgico. Nunca as obras dos homens produziram resultado tão maravilhoso. Uma única palavra da Bíblia converte-se em semente que produz centuplicados frutos e desenvolve na alma uma farta seara de virtudes, quando encontra o terreno bem preparado. Vede esse grãozinho que a brisa suspende no ar: se o examinardes de perto, achá-lo-eis munido de um aparelho, alternativamente sólido e delicado, semelhante a umas asas.

Com ele ondula ligeira e graciosamente! Segue à mercê da Providência, cujo olho maternal o acompanha sempre; e quando lhe chega a hora de germinar, dir-se-ia que uma mimosa e previdente mão o abate sobre um fragmento de terra. Cai, penetra-a, desenvolve-se, cresce e carrega-se de numerosos e fecundos frutos. Assim vão as palavras da Escritura Sagrada: graça à predicação evangélica, o ar está cheio desses germens divinos, e as sementes aladas volteiam por toda a parte; e quando uma alma está preparada, o sopro da graça leva-lhe um destes maravilhosos átomos, que vêm não se sabe de onde, e que pode produzir com o tempo uma floresta de alentadas árvores: – Et terra gignet germen suum, et pomis arbores replebuntur.[2]

Eu já por várias vezes, senhoras, nas nossas conferências mensais, tive ocasião de apresentar às vossas meditações algumas frases da Bíblia, sobre os vossos principais deveres, e muito feliz me julgo por fazer-vos a justiça de crer que a semente divina caiu sempre em terras excelentes, o que não é, de certo, a menor consolação, nem a menor recompensa do vosso pastor. Havia muito tempo que eu alimentava a idéia de comentar um admirável capítulo dos Provérbios, sobre a mulher forte; parecia-me, até, ter antecipadamente visto nele numerosas e interessantes conclusões para a prática da vossa vida, porque a Bíblia que fala muitas vezes da mulher e dos deveres que lhe cumprem, parece ter resumido, em tal capítulo, a substancia do seu ensino. Começaremos, pois, agora, e prosseguiremos sucessivamente, a par e passo dos desenvolvimentos que se apresentarão ao meu espírito.

Quem encontrará a mulher forte? – Mulierem fortem quis inveniet? 

O Senhor estabelece as suas obras duas a duas, diz a Sagrada Escritura, e o contraste é uma lei da criação: Intuere in omnia opera Altimissi: duo et duo et unam contra unum.[3] Este contraste é frisantíssimo na criação do homem e da mulher, e na distribuição das suas qualidades diferentes. Ao homem, d’um modo mais especial, conferiu a inteligência, o conselho e a força; a mulher, a inteligência do coração, a flexibilidade.

É certo que as riquezas d’uma destas duas maravilhosas criaturas não são completamente recusadas à outra: designo somente as qualidades que, segundo as leis ordinárias, dominam n’uma mistura, em que os dons são continuamente variáveis. Assim, a força não é geralmente tida como caráter próprio e predominante da mulher, o que, por sem dúvida, não é afirmar que a mulher não possa ser forte e corajosa, nem tão pouco que o homem em muitas circunstâncias não seja mais fraco que a mulher. Trata-se unicamente do que mais habitualmente se apresenta, do que resulta da constituição primitiva, dos dons especiais concedidos a mulher e da sua missão neste mundo.
Diremos ainda que, ao lado de cada uma das nossas boas qualidades, se acha um defeito posto, e que em conseqüência das enfermidades da natureza e das misérias do pecado, a flexibilidade de caráter, e agilidade de constituição facilmente degeneram em fraqueza e inconstância. Foi isto o que fez dizer a São Tomás que as imperfeições do temperamento entram por muito na fraqueza censurada às mulheres – propter imperfectionem corporalis naturae.[4]Também o sábio responde ao pensamento dos séculos e ao julgamento da experiência, quando exclama: – Quem encontrará a mulher forte?

Talvez que a resposta fosse mais fácil se se perguntasse: Quem encontrará a mulher volúvel, inconstante, sucessivamente ardente e fria? Quem encontrará esses caracteres entusiastas, que passam com extrema rapidez duma e outra convicção, cheios de indolência e inconsistência, e semelhantes aos seres gelatinosos, que se decompõem sobre a área, na praia, junto ao mar? Quem encontrará as naturezas móveis como o vento, que mudam de opinião conforme as variações do tempo, e aos caprichos da multidão insensata?

A tais interrogações seriam imediatamente as respostas e numerosas as aplicações.

Quem encontrará a mulher forte?

Essa mulher que sabe beber n’uma quotidiana coragem e energia necessária para fazer face a todas as dificuldades da sua posição, aos enfados diários, as preocupações de todas as horas e as contrariedades incessantes? A mulher forte que resiste aos numerosíssimos embates da vida, as tristezas da família, aos atritos da vida interna e a todos os íntimos pesares, que, semelhantes às legiões de insetos do outono, de contínuo cercam o coração da mulher?

10 abril 2017

CATECISMO ILUSTRADO - EDIÇÃO DA JUVENTUDE CATÓLICA DE LISBOA

CATECISMO ILUSTRADO
EDIÇÃO DA JUVENTUDE CATÓLICA DE LISBOA DE 1910


SUMÁRIO

I
O SÍMBOLO DOS APÓSTOLOS
II
OS SACRAMENTOS
III
OS MANDAMENTOS DA LEI DE DEUS E DA IGREJA
IV
A ORAÇÃO - OS NOVÍSSIMOS DO HOMEM - OS PECADOS - AS VIRTUDES - AS OBRAS DE MISERICÓRDIA





30 agosto 2016

O EXERCÍCIO DA MEDITAÇÃO - SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA

São Pedro de Alcântara, imagem retratando o milagre de levitação que ocorria com o santo


São Pedro de Alcântara
AVISOS PARA O EXERCÍCIO DA MEDITAÇÃO


1. Introdução

Tudo o que até aqui dissemos serviu para oferecer matéria de consideração para os que aprendem a meditar, o que é uma das principais partes deste tema. De fato, poucas pessoas possuem suficiente material para reflexão na meditação e, deste modo, por falta dele, não são poucos os que não conseguem dar-se a esta prática.

Agora, porém, resta declarar abreviadamente a maneira e a forma pelas quais pode-se meditar. E. mesmo que nesta matéria o principal Mestre seja o Espírito Santo, todavia a experiência nos mostrou que são necessários alguns avisos, porque o caminho para ir a Deus é árduo e necessita de guia, sem o que muitos andam muito tempo perdidos e desencaminhados.

2. Primeiro Aviso

Seja, pois, este o primeiro aviso: que quando nos pomos a considerar algumas das coisas que já mencionamos como matéria de meditação em seus devidos tempos e exercícios, não devemos estar tão presos a estas matérias que consideremos como serviço mal feito deixarmos uma para tomarmos outra, quando nisto encontrarmos maior gosto ou maior proveito, porque, como a finalidade de tudo é a devoção, o que mais servir para este fim, será isto que se deve considerar como sendo o melhor. Porém isto não se deve fazer por motivos levianos, mas com vantagem conhecida. Sendo assim, se em alguma passagem de sua oração sentirmos maior gosto ou devoção do que em outro, detenhamo-nos nele por todo o espaço de tempo em que dure este afeto, mesmo que todo o tempo do recolhimento se gaste nisto. Porque, como o fim de tudo isto é a devoção, conforme já o explicamos, seria um erro buscar em outra parte, com esperança duvidosa, o que já temos como certo em nossas mãos.

3. Segundo Aviso

Seja o segundo aviso que trabalhe o homem para desculpar neste exercício a demasiada especulação do entendimento, e procure deixar este negócio mais com afetos e sentimentos da vontade que com discursos e especulações do entendimento.

Porque sem dúvida não acertam este caminho aqueles que de tal maneira se põe na oração a meditar os Mistérios Divinos como se os estivessem estudando para pregar, o que seria mais derramar o espírito do que recolhê-lo e seria mais andar fora de si do que dentro de si. De onde nasce que, acabada a sua oração, ficam secos e sem suco de devoção, e tão fáceis e prontos para qualquer leviandade como o estavam antes. Porque a verdade é que tais pessoas de fato não oraram, mas falaram e estudaram, o que é coisa bem diversa da oração.

Estes tais deveriam considerar que no exercício da oração mais nos aproximamos para escutar do que para falar. Para acertar, portanto, neste negócio, aproxime-se o homem com o coração de uma velhinha ignorante e humilde, e mais com a vontade disposta e aparelhada para sentir e afeiçoar-se às coisas de Deus do que com o entendimento esperto e atento para esquadrinhá-las, pois isto é próprio dos que estudam para saber, e não dos que oram e pensam em Deus para chorar.

25 agosto 2016

O MANDAMENTO DA CARIDADE - SANTO TOMÁS DE AQUINO

-"Tomás, escreveste bem sobre mim. Que receberás de mim como recompensa pelo teu trabalho?"
 -"Senhor, nada senão Vós!"



O MANDAMENTO DA CARIDADE - SANTO TOMÁS DE AQUINO

1. Introdução.

Três coisas são necessárias à salvação do homem, a saber:


  • a ciência do que se há de crer,
  • a ciência do que se há de desejar,
  • e a ciência do que se há de operar.


A primeira nos é ensinada no Credo, onde nos é ensinada a ciência dos artigos da fé. A segunda, no Pai Nosso. A terceira na Lei.

Agora a nossa intenção é acerca da ciência do que se há de operar, para tratar da qual encontramos quatro leis.


  • A lei da natureza.
  • A lei da concupiscência.
  • A lei da Escritura, ou do temor.
  • A lei Evangélica, ou do amor.


2. A lei da natureza.

A primeira lei é dita lei da natureza, e esta nada mais é do que a luz da inteligência colocada em nós por Deus, pela qual conhecemos o que devemos agir e o que devemos operar. Esta luz e esta lei Deus a deu ao homem na criação, mas muitos acreditam dela poderem desculpar-se por ignorância se não a observarem. Contra estes diz, porém, o profeta no salmo quarto:

"Muitos dizem: Quem nos mostrará o bem?", como se ignorassem o que é para se operar. Mas o próprio profeta no mesmo lugar responde:

"Sobre nós está assinalada a luz do teu semblante, ó Senhor", luz, a saber, do intelecto, pela qual nos é conhecido o que se deve agir. De fato, ninguém ignora que aquilo que não quer que seja feito a si, não o faça ao outro, e outras tais.

3. A lei da concupiscência.

Posto, porém, que Deus na criação deu ao homem esta lei, a saber, a da natureza, o demônio, todavia, semeou sobre esta uma outra lei, a da concupiscência. Com efeito, até quando no primeiro homem a alma foi submissa a Deus, observando os divinos preceitos, também a carne foi submissa em tudo à alma, ou à razão. Mas depois que o demônio pela tentação afastou o homem da observância dos preceitos divinos, também a carne se tornou desobediente à razão.

24 agosto 2016

LITURGIA DA SANTA MISSA

Orações ao pé do altar

Orações ao pé do Altar

Ao iniciar a Santa Missa, pedimos a Deus perdão pelos nossos pecados. Quando vamos a Santa Missa, vamos a Jesus que se sacrifica por nós Como Jesus carregou a cruz ao monte Calvário, também nós estamos prontos a carregar a nossa cruz seguindo-Lhe os passos.

Iniciamos a Santa Missa com o sinal da cruz

S. In nómine Patris, et Filii, et Spiritus Sancti. Amen.Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito. Amém
Todos se benzem ao mesmo tempo que o celebrante.

O Confiteor


O Confiteor do Sacerdote e Fiéis

Façamos um breve exame de consciência e confessamos a Deus todo-poderoso s pecados. Com grande desejo de se purificar, antes de se aproximar do altar, o Sacerdote primeiramente, e depois os fiéis, acusam-se diante de Deus e dos Santos dos pecados que cometeram e pedem a Deus misericórdia.

 O Sacerdote se inclina profundamente e diz o CONFITEOR:

Depois do sacerdote, os fiéis dizem o CONFITEOR, nas palavras “mea culpa…” se bate três vezes no peito.


OS TRÊS VINHOS - SANTO TOMÁS DE AQUINO

O rico simbolismo presente no vinho na Liturgia


« Não tem vinho » (São João II, 3)
       
Antes da Encarnação de Cristo, três vinhos faltavam aos homens: o vinho da justiça, o da sabedoria e o da caridade ou graça.
 
1. — O vinho mordica o paladar e, por causa disso, diz-se que a justiça é um vinho. O Samaritano lançou azeite e vinho nas feridas do homem que jazia no caminho (São Lucas X, 34), isto é, a severidade da justiça com a doçura da misericórdia. « deste-nos a beber o vinho da compunção »
(Sl LIX, 5).
 
O vinho também alegra o coração, conforme diz o salmista, « o vinho alegra o coração do homem » (Sl 103, 15). Por causa disso, diz-se que a sabedoria é um vinho, pois a meditação da sabedoria alegra imensamente. « sua conversação não tem nada de desagradável » (Sb VIII, 16).
 
O vinho também inebria. « bebei, amigos, e embriagai-vos, caríssimos » (Ct V, 1). Por isso diz-se que a caridade é um vinho. « Bebi o meu vinho com o meu leite » (Ct V, 1). E também se diz que a caridade é um vinho por causa do seu fervor. « o vinho que gera virgens » (Zc IX, 17)
 
2. — O vinho da justiça certamente faltava na velha lei, na qual a justiça era imperfeita. Mas Cristo tornou-a perfeita. « Se a vossa justiça não exceder a dos escribas e a dos fariseus, não entrareis no reino dos céus » (São Mateus V, 20).  
 
Também faltava o vinho da sabedoria, que estava oculta e em figura. « todas estas coisas lhes aconteciam em figura » (I Cor X, 11). Mas Cristo a manifestou. « porque os ensinava, como quem tinha autoridade » (São Mateus VII, 29).
 
Mas também faltava o vinho da caridade, pois apenas receberam o espírito da servidão no temor. Mas Cristo transformou a água do temor no vinho da caridade quando deu o « espírito de adoção de filhos, mercê do qual clamamos, dizendo: Abba pai » (Rm VIII, 15) e quando « a caridade de Deus foi derramada em nossos corações » (Rm V, 5)    
     
In Joan., II
 
(P. D. Mézard, O. P., Meditationes ex Operibus S. Thomae.)

09 junho 2016

DANÇAS - SERMÕES DE SÃO JOÃO MARIA VIANNEY


Seja um religioso ou seja um condenado, há sempre alguém que vem me dizer:
"Padre, que mal existe em uma pessoa se divertir um pouco? Eu não faço mal a ninguém... Eu não sou um religioso e nem pretendo sê-lo! Se eu não puder sequer dançar um pouco, eu estarei passando a minha vida nesse mundo como se fosse um morto!"

Meu caro amigo, você está muito errado. Ou você se torna um religioso, ou você será um conde-nado. E o que é ser uma pessoa religiosa? Nada mais é do que uma pessoa que cumpre com todos os seus deveres como Cristão. Você me diz que eu não vou conseguir nada tentando convencê-lo a respeito do mal que existe nas danças e que você não vai se tornar por isso, nem mais e nem menos indulgente a esse respeito.

Mas eu lhe digo: você está errado novamente, pois ao ignorar e desprezar as instruções do seu pastor, você atrai sobre si a ira e os castigos de Deus, e eu pelo meu lado, serei recompensado por ter cumprido com os meus deveres. Na hora da minha morte, Deus não vai me perguntar se você cumpriu ou não com as suas obrigações, mas sim, se eu lhe ensinei ou não o que você deveria fazer para cumprir com seus deveres.

Você também me diz, que eu nunca conseguirei quebrar a sua resistência, a ponto de fazê-lo acreditar que existe algum mal em divertir-se dançando. Você não quer mesmo acreditar que existe algum mal nisso, não é verdade? Bem, isso é problema seu. Que eu saiba, é suficiente pra mim, falar-lhe num modo, que me assegure que ao fazê-lo, estarei fazendo aquilo que como pastor eu deveria fazê-lo. Portanto, que isso não lhe irrite! Seu pastor está apenas cumprindo com o dever.

08 junho 2016

A PUREZA - SÃO JOÃO MARIA VIANNEY



A PUREZA

“Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus” (São Mateus V, 8).

 “ Não confundamos pureza, com ingenuidade, se assim o fosse, Maria não teria feito a pergunta: “Como se dará? Se não conheço homem algum?...” E nem muito menos Maria Madalena após sua vida de prostituição e pecados teria tido a graça da Santidade incluindo esta virtude.

Nós lemos no Evangelho, que Jesus Cristo, querendo ensinar ao povo que vinha em massa, aprender Dele o que era preciso fazer para ter a vida eterna, senta-se e, abrindo a boca, lhes diz: “Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus.” Se nós tivéssemos um grande desejo de ver a Deus, meus irmãos, só estas palavras não seriam acaso suficientes para nos fazer compreender quanto a pureza nos torna agradáveis a Ele, e quanto ela nos é necessária? Pois, segundo Jesus Cristo, sem ela, nós não o veremos jamais! “Bem-aventurados, nos diz Jesus Cristo, os puros de coração, porque eles verão o bom Deus”. Pode-se acaso esperar maior recompensa que a que Jesus Cristo liga a esta bela e amável virtude, a saber, a posse das Três Pessoas da Santíssima Trindade, por toda a eternidade? ... São Paulo, que conhecia bem o preço desta virtude, escrevendo aos Coríntios, lhes diz:

“Glorificai a Deus, pois vós o levais em vossos corpos; e sede fiéis em conservá-los em grande pureza. Lembrai-vos bem, meus filhos, de que vossos membros são membros de Jesus Cristo, e que vossos corações são templos do Espírito Santo. Tomai cuidado de não os manchar pelo pecado, que é o adultério, a fornicação, e tudo aquilo que pode desonrar vossos corpos e vosso coração aos olhos de Deus, que a pureza mesma” (1Cor VI, 15-20).

Oh! Meus irmãos, como esta virtude é bela e preciosa, não somente aos olhos dos homens e dos anjos, mas aos olhos do próprio Deus. Ele faz tanto caso dela que não cessa de a louvar naqueles que são tão felizes de a conservar. Também, esta virtude inestimável constitui o mais belo adorno da Igreja, e, por conseguinte, deveria ser a mais querida dos cristãos. Nós, meus irmãos, que no Santo Batismo fomos aspergidos com o Sangue adorável de Jesus Cristo, a pureza mesma; neste Sangue adorável que gerou tantas virgens de um e outro sexo; nós, a quem Jesus Cristo fez participantes de sua pureza, tornando-nos seus membros, seu templo...

05 maio 2016

MÁXIMAS ETERNAS - SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO



Redentoristas e Santo Afonso


Máximas Eternas - Meditações para cada dia da semana Por Santo Afonso Maria de Ligório

Atos de preparação às meditações

1. Alma minha reaviva tua Fé, porquanto te achas diante de teu Deus. Adora-O profundamente.

2. Humilha-te aos pés de Deus e peça-Lhe, do fundo do coração, perdão.

3. Procura Luz em Deus por amor de Jesus Cristo. Recomenda-te a Maria Santíssima e aos santos com uma Ave-Maria, Glória ao Pai, etc.

Meditação para o Domingo - Sobre a Finalidade do Homem

Considera, ó alma, que teu ser foi dado por Deus, que te criou à sua imagem, sem teres mérito algum. Adotou-te como filho através do batismo, amou-te mais que um Pai, criando-te para que o amasses e o servisses nesta vida para gozá-Lo, depois, no Paraíso. Não nasceste, pois, nem deves viver para te satisfazeres, para tornar-te rico e poderoso, para comer, para beber e dormir, como fazem os brutos, mas somente para amar teu Deus e para que te salves eternamente. As coisas criadas foram-te dadas para que te ajudassem a alcançar o grande fim.

“Ai de mim, infeliz, que em tudo pensei, menos no meu fim! Pai meu, por amor de Jesus, fazei que eu comece uma vida nova, toda ela santa e em conformidade com a vossa vontade divina”.

Considera quais terríveis remorsos, pois, sentirás na hora da morte, se agora não te aplicares em servir a Deus. Que pesar quando, no termo da vida, perceberes que não te resta senão um punhado de moscas de todas as tuas riquezas, grandezas, glórias e prazeres! Ficaras atônito ao ver como, por vaidade e ninharias, perdeste tua alma e a graça de Deus, sem que possas refazer o mal feito; nem terás tempo para tomar o bom caminho. Ó desespero! Ó tormento! Verás então o quanto vale o tempo, mas será tarde. Gostarias de comprá-lo com teu sangue, mas não poderás.

Ó dia amargo para quem não serviu nem amou a Deus.

Considera o quanto se descura este grande fim. Pensa-se em acumular riquezas, em banquetear-se, em festejar, em viver atoa: E não se serve a Deus, e não se pensa na salvação da alma e o fim eterno. Estima-se com nada. E assim, a maior parte dos cristãos, banqueteando, cantando, tocando, vão para o inferno. Ah! se eles soubessem o que significa o inferno! Ó homem, te fadigas tanto para danar-te e nada queres fazer para salvar-te...

Enquanto morria, um secretário de Francisco, Rei da Inglaterra, dizia:

11 abril 2016

SÃO FRANCISCO DE SALES E O LATIM NA MISSA



São Francisco de Sales e o Latim na Missa

Não é incomum que os católicos de hoje pensem ser um absurdo rezar a Missa em Latim. Comumente, pensam ser uma nostalgia, algum apego sentimental qualquer ao passado, como se essa fosse uma questão de pouca importância, da qual a Igreja poderia abrir mão para se adaptar aos tempos. Todavia, a questão do Latim na Igreja não está relacionada ao tempo. Nem ao lugar. Nesta questão, como nas outras, não é a Igreja que deve se adaptar ao homem, mas o homem que deve se adaptar à Igreja O que fundamenta a utilização do Latim na Igreja são aspectos doutrinários, que contribuem, portanto, para a santificação dos próprios fiéis. E não são fundamentos elaborados nesses tempos recentes em que o latim anda tão esquecido, neste momento de crise intensa.

Os argumentos, a favor do uso do latim na Missa, são excelentes, mas são, em larga medida, rejeitados. Convém, então, dar uma autoridade inquestionável a tais argumentos. São os próprios santos que defendem arduamente a utilização do latim na Missa. Entre eles, destaca-se São Francisco de Sales, que refutou cada ponto dos protestantes em uma série de panfletos, reconvertendo, praticamente, todos os 72.000 habitantes de uma cidadezinha - Chablais - que tinha caído no protestantismo. Esses panfletos estão compilados em um livro denominado A Controvérsia Católica. Entre esses pontos está, obviamente, a pretensão protestante de difundir

03 abril 2016

ELES PERTENCEM AO MUNDO - SERMÕES SÃO JOÃO MARIA VIANNEY



“Uma parte, e talvez a maior parte das pessoas, está totalmente envolvida com as coisas deste mundo. E neste largo número, existem aqueles que se julgam felizes por terem suprimido todo e qual-quer sentimento de religiosidade, todo e qualquer pensamento sobre a vida eterna, aqueles que fizeram de tudo que estava em seu poder, para apagar da memória, a terrível recordação do Julgamento, no qual um dia, todos nós teremos que nos apresentar e prestar contas. Durante o curso de suas vidas, eles usam de tudo quanto é artimanha, e freqüentemente até suas posses, para atraírem para o seu modo de vida, tantos quanto puderem. Eles já não acreditam em mais nada. Aliás, eles até sentem um certo orgulho em se exibirem mais ímpios e incrédulos do que realmente são, para poderem convencer os outros a acreditarem, não em verdades, mas sim em falsidades, que vão fincando raízes nos corações daqueles que são influenciados por eles.

Durante um jantar que Voltaire deu num certo dia para seus amigos, – um bando de ímpios– ele rejubilou-se porque entre todos os presentes não havia um sequer que acreditava em religião. Embora no fundo, ele próprio ainda acreditava. Tanto é verdade, que ele demonstrou isso claramente na hora de sua morte. Naquele momento crucial, ele ordenou com grande pressa que um sacerdote fosse levado à sua presença para reconciliar-lhe com Deus. Mas foi tarde demais!

Deus, contra Quem ele havia lutado e falado mal com tanta fúria, durante toda a sua vida, agiu com ele do mesmo modo como agiu com Antíoco. Deus simplesmente o abandonou à fúria dos demônios.

Naquele momento de pavor, Voltaire tinha apenas o desespero e o pensamento da condenação eterna que lhe estava destinada.

O Espírito Santo nos diz: "O tolo diz em seu coração: não existe Deus". Mas é apenas a corrupção de seu coração que o leva a cometer tais excessos. No fundo, no fundo, ele não acredita nisso. Ou seja, aquelas palavras: "Deus existe", nunca desaparecerão inteiramente de seu coração. O pior dos pecadores sempre proferirá o nome de Deus, mesmo sem pensar no que está dizendo!

11 janeiro 2016

EXAME DE CONSCIÊNCIA - PARA BEM SE CONFESSAR


 "Aqueles a quem perdoardes os pecados, lhe serão perdoados; aqueles a quem os retiverdes, lhes serão retidos"
(São João XX,22-23)


 "A confissão é um sacramento de misericórdia. Por isso é preciso aproximarem-se do confessionário com confiança e alegria. Sem confissão não há salvação".*
Beata Jacinta Marto, Vidente de Fátima.
*Os  destaques são nossos.


EXAME DE CONSCIÊNCIA


1) Contra os Mandamentos de Deus

1º Mandamento - Amar a Deus sobre todas as coisas

-  Creio firmemente tudo o que Deus revelou ou duvidei voluntariamente de algum doutrina da Igreja Católica?
-  Descuidei o conhecimento da minha fé, tal como o Catecismo a ensina, tal como o Credo dos Apóstolos, os Dez Mandamentos, os Sete Sacramentos, o Pai Nosso, etc?
-  Alguma vez li, com consciência do que fazia, alguma literatura herética, blasfema ou anti-católica?
-  Assinei, publiquei, propaguei, emprestei livros, folhetos, revistas ou jornais hostis á Deus e à santa religião?
-  Sou membro de alguma organização religiosa não católica, de alguma sociedade secreta ou de um grupo anti-católico?

08 janeiro 2016

DO SILÊNCIO - SANTO AFONSO MARIA LIGÓRIO

Maria Santíssima, modelo de santo silêncio

Nota: Este texto foi escrito para religiosas, o que não nos impede de aproveitá-lo em parte em nosso dia-a-dia.

1. — Primeiramente, o silêncio é um grande meio para nos ajudar a sermos almas de oração, e nos dispor para tratarmos continuamente com Deus. É difícil achar uma pessoa espiritual, que fale muito. Todas as almas de oração amam o silêncio, o qual se chama guarda da inocência, defesa contra as tentações e fonte da oração; porque, no silêncio, conserva-se a devoção, e nele povoam o nosso espírito os bons pensamentos. S. Bernardo diz que o silêncio e a calma forçam, de certo modo, a alma a pensar em Deus e nos bens eternos (3). Por isso, os santos buscavam os montes, as grutas e os desertos, para acharem este silêncio, fugindo do tumulto do mundo, onde não se acha Deus, como foi mostrado a Elias (4). O monge Teodósio guardou o silêncio durante trinta e cinco anos; e S. João Silenciario, bispo feito monge, o observou por quarenta e sete anos, até a morte. Todos os santos, mesmo os que não foram solitários, amaram o silêncio.

2. — Oh quantos bens traz consigo o silêncio! É ele que cultiva a justiça nas almas, disse o profeta (5). Com efeito, de um lado nos preserva de muitos pecados, impedindo as disputas, as maledicências, os ressentimentos, as curiosidades; e de outro nos faz adquirir muitas virtudes. Como exerce bem a humildade a religiosa que escuta modestamente e se cala, enquanto as outras falam! — Como pratica bem a mortificação a outra que se abstém de falar, reprimindo o desejo de contar um fato ou dizer uma graça que viria a propósito na conversação! Como exercita bem a doçura aquela outra que ouve as repreensões e injúrias, sem responder coisa alguma! É por isso que o mesmo profeta diz ainda: Vossa força estará no silêncio e na esperança (6). — Com o silêncio evitaremos as ocasiões de pecar, e pela esperança obteremos as graças divinas para vivermos bem.

3. — Ao contrário, falando demais, sofreremos imensos prejuízos. Primeiramente, assim como com o silêncio conserva-se a devoção, assim também se perde com o falar demais. Por mais recolhida que tenha estado uma alma na oração, logo se achará distraída e dissipada como se não a tivesse feito, se depois dela se põe a falar demais. Quando se abre a boca de um forno quente, o calor se evapora logo. — S. Doroteu dá este aviso: Evitai a loquacidade, porque ela expulsa do espírito os bons pensamentos e o recolhimento com Deus (7).

— Falando dos religiosos que não podem se conter de andar sempre a procurar novidades do mundo, S. José Calazans dizia que o religioso curioso mostra que está esquecido de si mesmo. — É uma regra certa que a pessoa que fala muito com os homens, pouco fala com Deus; e o Senhor por sua vez pouco lhe falará, porque está escrito que quando quer conversar com uma alma a conduz à solidão (8). — Quando pois a alma quiser ouvir a voz de Deus, deve buscar a solidão. Se nos calarmos, acharemos a solidão, dizia a venerável Margarida da Cruz. A religiosa que procura a conversação com as criaturas, faz ver que não basta para contentá-la a conversação divina. Como se dignará o Senhor de falar-lhe?

4. — O Espírito Santo nos adverte além disso, que no falar muito não deixará de haver algum pecado (9). Enquanto fala e prolonga a conversa sem necessidade, aquela talvez pense que não cometeu nenhum defeito; mas, se depois se examinar bem, não deixará de achar alguma falta de murmuração, de imodéstia ou de curiosidade, ou ao menos algumas palavras supérfluas. — Dizia Sta. Maria Madalena de Pazzi que uma religiosa não deve falar senão por necessidade. Com efeito, as religiosas são obrigadas por título especial a dar conta das palavras inúteis, pelas quais todos afinal serão responsáveis no dia do juízo, como nos adverte o nosso divino Salvador: Eu vos digo que no dia de juízo, os homens darão conta de toda palavra ociosa que houverem falado (10).

Quando falamos muito, ordinariamente cometemos mil defeitos. A língua é chamada por S. Tiago um mal universal (11). — E assim é, porque, como adverte um douto autor, a maior parte dos pecados provém do falar ou ter ouvido falar.

Ai! quantas monjas veremos no dia de juízo que serão condenadas por não terem feito caso do silêncio! O que é pior é que a religiosa que se dissipa no trato com as criaturas e no falar muito, nem sequer saberá ver os seus defeitos, e destarte andará de mal a pior. O homem que fala muito, diz o Salmista, andará sem guia (12). Donde cairá em mil erros sem que ao menos tenha esperança de emenda. Há algumas monjas que parece não sabem viver sem falar sempre de manhã à noite. Querem saber tudo o que se passa dentro e fora do mosteiro. Andam até perscrutando os pensamentos de todas as outras. E depois perguntam que mal fizeram. — Eis, minhas irmãs, o que vos respondo: Reprimi a vossa loquacidade, procurai recolher-vos um pouco e então vereis quantos defeitos haveis cometido por falar demais.

5. — S. José Calazans dizia que um religioso dissipado é a alegria do demônio. E com razão; porque tal religioso ou religiosa, com sua dissipação, não só não faz bem a si, mas com o girar pelas celas e oficinas, buscando com quem falar ou falando em voz alta em todo o lugar não respeitando sequer o coro e a sacristia da igreja, embaraça também o bem das outras. — Narra Sto. Ambrósio que certo sacerdote, estando em oração, era perturbado pelo coaxar de muitas rãs da lagoa vizinha; pelo que ordenou-lhes que se calassem e elas obedeceram prontamente. A isto o Santo Doutor exclama: Calarão os irracionais pelo respeito à oração e não calarão os homens (13).

Eu pergunto, com maioria de razão, se não calarão as religiosas que vieram ao mosteiro para se santificarem, observando a regra e mantendo o santo recolhimento? Farão o ofício dos demônios, perturbando as que querem orar e viver recolhidas em Deus? É com razão que um autor chama a estas monjas faladeiras demônios familiares dos mosteiros, onde fazem grande dano.

6. — Segundo Sto. Inácio de Loyola, para conhecer se o fervor reina em um convento, basta ver se nele observa-se o silêncio. Um convento onde se fala sempre é uma imagem do inferno, porque, banindo-se o silêncio, será continuamente desolado pelas contestações, murmurações, lamentos, amizades particulares, partidos e distúrbios. Ao contrário, o mosteiro, onde ama-se o silêncio, é a imagem do paraíso, e inspira a devoção não só às pessoas que nele habitam, mas também às de fora.

Foi o que decidiu o Padre Perez a se fazer carmelita descalço; pois, sendo ainda secular, entrou em um mosteiro dessa reforma e ficou tão edificado do silêncio ai observado, que abandonou o mundo para se consagrar a Deus. — É por isso que o Padre Natal da Companhia de Jesus dizia que para reformar uma casa basta restabelecer nela a regra do silêncio; porque, então, cada um ficará recolhido e atenderá ao seu aproveitamento espiritual. Por esse motivo, disse Gerson, os santos fundadores com tanto cuidado impuseram e recomendaram aos seus religiosos o silêncio, pois, sabiam quanto importava observá-lo para conservar o espírito interior. — Entre os artigos, que S. Basílio traçou nas suas regras para as religiosas, não um só, mas muitos tratam exclusivamente do silêncio; e S. Bento ordenou que seus monges procurassem guar-dá-lo sempre sem interrupção (14).

7. — Aliás, ai está a experiência para provar que, no mosteiro, onde se guarda o silêncio, se mantém em vigor a observância das regras, mas reina pouco fervor onde pouco silêncio se guarda. Esta é também a razão porque há poucas religiosas santas: poucas são as que amam o silêncio. Em muitos mosteiros, acha-se bem escrita e muito recomendada a regra do silêncio, mas entre as religiosas parece que nem sequer se sabe o que é o silêncio; e por isso vivem as pobrezinhas dissipadas, sem espírito e sempre inqui-etas. — Não penseis, entretanto, caríssima irmã, que a negligência das outras vos escusa e vos isenta da regra que prescreve o silêncio. — Dizia Sta. Clara de Montefalco que no tempo do silêncio dificilmente se fala sem cair em algum defeito.

Há algumas, que se escusam, dizendo que, muitas vezes, têm necessidade de falar, para não ficarem acabrunhadas de melancolia. Mas como pode ser que o defeito de quebrar o silêncio pode preservar tais religiosas da melancolia? Persuadamo-nos que, quando nos achamos aflitos, nem todas as criaturas da terra e do céu nos podem consolar. — Só Deus consola. E como nos poderá consolar no mesmo momento em que o ofendemos? Ao menos, quando houver necessidade de falar em tempo de silêncio, pedi licença a superiora. — Há algumas que não andam a procurar ocasião de falar; mas, quando ocorre qualquer ensejo, se deixam vencer e violam o silêncio para condescender com outras que querem conversar. Tal condescendência de certo não as escusam de defeito. É necessário, nesse caso, fazer-se violência e retirar-se de lá, ou calar, e, algumas vezes, dar sinal de que é hora de silêncio, pondo o dedo na boca.

8. — Ainda mesmo nos tempos em que o silêncio não seja obrigatório, procurai observá-lo quanto for possível, se quereis manter-vos, em recolhimento e evitar as imperfeições, porque nunca se peca mais facilmente, do que falando. Lá disse o sábio: Quem guarda a sua boca, guarda a sua alma (15). — E S. Tiago nos assegura que é homem perfeito o que não peca pela língua (16).

Será, portanto, uma única coisa uma religiosa amiga do silêncio e uma religiosa santa; pois, observando o silêncio, será pontual no cumprimento das suas regras, será afeiçoada à oração, à leitura, à assistência ao ofício divino, à visita ao SS. Sacramento. Oh como se torna agradável a Deus uma religiosa que ama o silêncio! Sobretudo se sabe mortificar-se, calando-se em certas circunstâncias extraordinárias, por exemplo: quando se sente muito enfadada de uma longa solidão, ou quando lhe sucede alguma coisa muito triste ou muito alegre, de sorte que experimenta um vivo desejo de se comunicar!

Pelo contrário, a que se expande em palavras, será quase sempre dissipada, omitirá facilmente suas orações e outros exercícios de devoção, e assim perderá pouco a pouco o gosto das coisas de Deus. — Sta. Maria Madalena de Pazzi dizia: A religiosa que ama o silêncio, é impossível que não ache prazer nas coisas divinas. De sorte que esta infeliz acabará por abandonar-se aos prazeres terrenos; e, assim, não lhe restará de religiosa senão o nome e o hábito.

9. É preciso, entretanto, observar que, nos mosteiros, a virtude do silêncio não consiste em calar sempre, mas em calar quando não há necessidade de falar. — É por isso que Salomão disse que há tempo de calar e tempo de falar (17). — A isto nota S. Gregório Nysseno que o tempo de calar se põe antes do tempo de falar, porque é calando-se que se a-prende a falar bem (18). — No silêncio, aprende-se a considerar bem tudo o que se há de dizer depois.

Mas para uma religiosa que quer se santificar qual é o tempo de calar e o de falar?

O tempo de calar é todo o tempo em que não há necessidade de falar; e o tempo de falar é aquele em que a necessidade ou a caridade obriga a falar. — Eis a excelente regra dada por S. João Crisóstomo: Deve-se falar somente quando é mais útil falar do que calar (19). — Dai este conselho: Ou calai-vos ou dizei coisas melhores do que o silêncio (20). — Feliz aquele que, na hora da morte, pode dizer com o abade Pambo, que como refere o Padre Rodrigues, não se lembrava de ter proferido uma palavra que depois tivesse necessidade de se arrepender de ter dito (21). — Ao invés, Sto. Arsênio dizia que muitas vezes se tinha arrependido de ter falado e nunca de ter calado (22). Por isso Sto. Efrem dava este aviso aos seus religiosos: Falai muito com Deus, e pouco com os homens (23). — O mesmo dizia Sta. Maria Madalena de Pazzi: Uma verdadeira serva de Jesus Cristo suporta tudo, trabalho muito e fala pouco.

10. — O que acima ficou exposto fará compreender a toda a religiosa que quer viver unida a Deus, com que cuidado deve fugir do locutório. — Assim como o ar que se respira no coro e na cela é o mais salutar para as religiosas, assim o mais pestífero para elas é o das grades. — Que é o locutório, no dizer de Sta. Maria Madalena de Pazzi, senão uma fonte de distrações, de inquietações e de tentações? — Um dia, a venerável Sor Maria Villani obrigou o demônio, da parte de Deus, a lhe manifestar em que lugar do convento ele ganhava mais. Respondeu-lhe o tentador: “Ganho no coro, no refeitório, no dormitório, e também perco; mas no locutório tudo lucro, porque esse lugar é todo meu”.

É pois com razão que a venerável Sor Filippa Cervina chamava o locutório de lugar empestado, onde facilmente se contrai o contágio do pecado. — Narra S. Bernardino de Senna que uma monja, depois de ouvir, no locutório, uma palavra indecente, caiu miseravelmente em uma culpa grave. — Muito mais feliz a virgem Sta. Febronia, que deu a vida pela fé aos dezenove anos: sendo religiosa, não consentiu nunca em aparecer na grade diante de qualquer pessoa secular, homem ou mulher. — Sta. Teresa, depois da sua morte, apareceu à uma de suas filhas e lhe disse que a religiosa que quer ser grande amiga de Deus, deve ser inimiga da grade.

Prouvera a Deus que em todos os mosteiros de religiosas houvesse ao menos grades de ferro, como se vêem em alguns onde reina a observância! Eis, a este respeito, o que conta um autor: A superiora de um convento tinha feito colocar no locutório uma grade apertada: o demônio, enraivecido, primeiro a torceu toda e depois a arrancou e foi rolando por toda a casa; mas a prudente superiora achou melhor colocá-la de novo assim mesmo torta como estava, para que as monjas entendessem que assim como aquela grade desagradava tanto ao inferno, deveria tanto mais agradar a Deus. Oh! que grande conta terão de dar a Deus Nosso Senhor as superioras que introduzem grades largas, ou descuidam de velar pelas conversas no locutório, por meio das escutas!

Em uma de suas cartas, Sta. Teresa escreve es-tas palavras notáveis: “As grades são portas do céu, quando estão fechadas, e são as do perigo, para não dizer do inferno, quando estão abertas”; e acrescentava: “Um mosteiro de mulheres onde há liberdade, serve antes para conduzi-las ao inferno do que para remediar a sua fraqueza” (24).

11. — Que grande progresso não faria no divino amor, como já dissemos (25), uma religiosa que se tomasse a resolução de nunca mais aparecer nas grades? — Ao menos, minha irmã, quando fordes ao lo-cutório, não deixeis de vos portar nele como religiosa. Falando aos seculares, deveis não só evitar, como todo o cuidado, palavras afetuosas, mas também ser muito séria e muito reservada. — Sta. Maria Madale-na de Pazzi queria que as suas religiosas fossem selvagens como os veados. São suas estas palavras.

E Sta. Jacinta Mariscotti dizia: “A delicadeza das religiosas, no locutório, consiste na descortesia de cortar todo o discurso longo”. Isto se entende, ordinariamente falando, até das longas conversas que se tivessem com pessoas espirituais. — Dizia a Madre Maria de Jesus, Carmelita descalça: Ganha-se mais em espiritualidade no coro, ou na cela, do que no locutório, por mais longas que sejam as conferências.

Prestai aos confessores e diretores todo o respeito devido; mas não trateis com eles senão o necessário, explicando-vos com poucas palavras.

Se, alguma vez, vos acontecer ouvir no locutório alguma palavra indecente, fugi logo; ou, ao menos, não respondais coisa alguma. — A venerável Sóror Serafina de Capri já tinha falecido há tempos, quando, em um dos seus conventos, duas mulheres se puseram a falar de um casamento: logo a porteira ouviu a voz da fundadora defunta, que dizia: “Expulsai, expulsai depressa essas mulheres”. — Sempre que puderdes, procurai afastar essas conversas que são próprias dos mundanos. — Sta. Francisca Romana, um dia, recebeu uma bofetada do seu anjo da guarda, por ter tolerado duas senhoras falassem, em sua presença, sobre vaidades do mundo.

Deveis ainda estar mais atentas em guardar o silêncio no convento com vossas irmãs, porque ai a ocasião de quebrá-lo é muito mais freqüente e mais perto de vós. Para isso é preciso mortificar a vossa curiosidade. — Dizia o abade João: Quem quiser refrear a língua, cerre os ouvidos com a mortificação da curiosidade de saber novidades. — Além disso, é preciso que fujais da convivência de certas monjas que falam sempre. Demais, deveis fixar de antemão algum tempo do dia para a observância do silêncio, no qual estareis retiradas na cela ou em outro lugar solitário, para não ter ocasião de falar.

12. — Quando houverdes de falar, tende sempre cuidado de pesar o que ides dizer segundo este aviso de Espírito Santo: Faze uma balança para pesar as vossas palavras antes de proferí-las (26). — Por isso dizia S. Bernardo: Antes que as palavras cheguem à língua, passem duas vezes pela lima do exame, afim de que se cale o que não convém falar (27). — Isto explicava S. Francisco de Sales em outros termos, dizendo que, para falar sem defeito, seria preciso que cada um tivesse a boca fechada com botões; de modo que, devendo abri-la para falar, pensasse bem naquilo que haveria de dizer.

Quando, pois, houverdes de falar, considerai bem o seguinte:

1.º - A coisa que quereis dizer, para ver se não ofende a caridade, a modéstia ou a observância.

2.º - O fim pelo qual falais, porque, às vezes, alguns dizem coisas boas, mas com fim menos reto, como parecerem espirituais, ou passarem por pessoas engenhosas.

3.º - A quem falais: Se é às vossas superioras, às iguais, ou às inferioras, se é em presença de pessoas seculares, ou das educandas, que talvez possam es-candalizar-se com o que dizeis.

4.º - O tempo em que falais: Se é durante as horas do silêncio ou do repouso.

5.º - O lugar em que falais: Se é no coro, na sacristia, nos corredores, na portaria ou no locutório.

6.º - A maneira com que deveis falar: com simplicidade, sem afetação; com humildade, evitando toda palavra soberba ou de vanglória; com doçura, sem nada dizer com impaciência ou ofensa do próximo; com moderação, não sendo a primeira a responder em qualquer coisa que se proponha, principalmente se fordes a mais nova de todas; com modéstia, não interrompendo a que está falando. Demais, guardai-vos de qualquer palavra que cheire o mundo; evitai os risos imoderados; nem façais gestos inconvenientes.

Falai com voz baixa, pois S. Boaventura julga ser grande defeito para uma religiosa falar em voz alta, especialmente no tempo da noite (28).

Se fordes superiora e houverdes de dar alguma repreensão, guardai-vos de elevar a voz; do contrário, a súdita perceberá que cedeis a um movimento de impaciência, e então pouco aproveitará a repreensão.

13. — Nas recreações, que são um tempo de descanso, falai, quando as outras se calarem; mas, então, quanto for possível, procurai dizer alguma coisa de Deus. — Dizia Sto. Ambrósio: Falemos de Jesus Cristo, e dEle falemos sempre (29). — E que coisa deve alegrar mais uma religiosa do que falar do seu Esposo amabilíssimo? Quem ama muito uma pessoa parece que não sabe falar de outra coisa senão da mesma. Quem fala pouco de Jesus Cristo, dá sinal de que o ama pouco. Pelo que acontece muitas vezes que as boas religiosas, falando do amor divino, saem mais fervorosas desse discurso do que se sa-íssem do oração.

 — Dizia Sta. Teresa: Nas conversações dos servos de Deus está sempre presente Jesus Cristo. — Disto exatamente nos refere um singular exemplo do Padre Gisolfo, pio operário, na vida do venerável Padre Antônio de Colellis. Diz ele que o Padre Constantino Rossi, mestre dos noviços, viu um dia entreterem-se juntos dois daqueles, que mais tarde foram os Padres Antonio de Torres e Filippe Orilia; e notou no meio deles um outro jovem de aspecto belíssimo. Admirou-se o mestre de ver que os dois jovens, tidos por ele por exemplares, conversavam com um forasteiro sem licença; e perguntou-lhes depois quem era aquele jovem que vira a discorrer com eles. Os noviços lhe responderam que não estivera com eles ninguém de fora. Ouvindo, porém, o mestre que, na ocasião, estavam falando de Jesus Cristo, compreendeu que era o mesmo divino Salvador que se tinha deixado ver entre eles.

14. — Afinal, fora do tempo de recreações, e de certas ocasiões extraordinárias, como assistir a alguma enferma ou aliviar alguma irmã atribulada, o melhor é guardar silêncio.

Lê-se nas crônicas da reforma de Sta. Teresa, que uma religiosa carmelita descalça dizia: É melhor falar com Deus, do que falar de Deus. — Quando, por obediência ou caridade, como acima ficou dito, fordes obrigada a tratar com as criaturas, é necessário que procureis sempre achar alguns intervalos, para ao menos reparar as perdas causadas pelas distrações inseparáveis das ocupações exteriores.

Furtai ao menos os momentinhos que puderdes, para vos recolherdes com Deus, segundo o aviso do Espírito Santo (30): Não deixeis passar essa partícula de tempo sem dá-la a Deus quando não puderdes dispor de outra naquele dia. Todas as vezes que puderdes abreviar a conversa, fazei-o sob qualquer pretexto conveniente. A boa religiosa não procura pretextos, como fazem algumas, para prolongar as conversas, mas os descobre para encurtá-las. — Pensemos que o tempo nos foi dado, não para perdê-lo inutilmente, mas para servir a Deus e adquirir merecimentos para a vida eterna. Dizia S. Bernardino de Senna que um momento de tempo vale tanto como Deus, porque em cada momento podemos adquirir a Sua amizade, ou novos graus de graça.

ORAÇÃO

Bendita seja para sempre, ó meu Deus, a paciência com que me suportastes. Vós me destes o tempo para Vos amar, e eu o empreguei em Vos ofender e Vos desgostar! Se me fosse preciso morrer agora, qual não seria a minha dor, ao pensar que vivi tantos anos no mundo sem nada fazer! Senhor, eu Vos agradeço me dardes ainda tempo para remediar a minha negligência e a perda de tantos anos.

Ó meu Jesus, dignai-Vos me ajudar pelos merecimentos da Vossa paixão; eu não quero viver mais para mim, mas só para Vós e para o Vosso amor. Eu não sei quanto tempo me resta a viver, se é pouco ou se é muito; mas, se me désseis, ainda cem ou mil anos de vida neste mundo, todos quereria empregá-los unicamente em Vos amar e Vos agradar. Eu Vos amo, ó meu sumo bem, e espero amar-Vos eternamente. Não quero ser-Vos mais ingrata. Não quero mais resistir ao Vosso amor, que me convida desde muito tempo a me entregar toda a Vós. Ai! que mais quero esperar? Esperarei que me abandoneis, ou que não me convideis mais?

Ó Maria, minha Mãe, socorrei-me, orai por mim e obtende-me a graça de perseverar na minha resolução, e de ser fiel a Deus.
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3. Silentium, et a strepitu quies, cogit caelestia meditari. Ep. 78.
4. Non in commotione Dominus. III. Reg 19, 11.
5. Erit... cultus justitiae silentium. Is. 32, 17.
6. In silentio et in spe erit fortitudo vestra. Is. 30, 15.
7. Cave a multiloquio; hoc emin sanctas cogitationes extinguit. Doctr. 24.
8. Ducam eam in solitudinem, et loquar ad cor ejus. Os. 2, 14.
9. In multiloquio, non deerit peccatum. Prov. 10, 19.
10. Dico autem vobis, quoniam omne verbum otiosum, quod locuti, fuerint homines, reddent rationem de eo in die judicii. Matth. 12, 36.
11. Universitas iniquitatis. Jac. 3, 6.
12. Vir linguosus non dirigetur in terra. Ps. 39, 12.
13. Silent igitur paludes; homines non silebunt. De Virg. l. 3.
14. Omni tempore silentio debent studere monachi. Reg. c. 42.
15. Qui custodit os suum, custodit animam suam. Prov. 13, 3.
16. Si quis in verbo non offendit, hic perfectus est vir. Jac. 3, 2.
17. Tempus tacendi et tempus loquendi. Eccli. 3, 7.
18. Per silentium disci, quod postea proferatur.
19. Tunc solum loquendum est, quando plus proficit quam silentium. IN Ps. 140.
20. Aut tace, aut dic meliora silentio.
21. Exercicio de perf. p. 2 tr. 2. c. 8.
22. Me saepe poenituit dixisse, nunquam tacuisse. Surius 19 Jul.
23. Cum Deo, multis, cum hominibus paucis loquere. Encom. in Ps.
24. Vid. c. 7.
25. Vid. c. 10, § 11.
26. Verbis tuis facito stateram. Eccli. 28, 29.
27. Bis ad limam veniant verba, quam semel ad linguam. Punct. perf. 7.
28. Spec. disc. p. 1, c. 31.
29. Loquamur Dominum Jesum, ipsum semper loquamur. In Ps. 36.
30. Particula boni doni non te praetereat. Eccli. 14, 14.

  

Compartilhado do Blog: http://a-grande-guerra.blogspot.com.br/2010/07/do-silencio.html

04 janeiro 2016

CATECISMO SOBRE O MODERNISMO - PE. J. B. LEMIUS O. M. I.



CATECISMO SOBRE O MODERNISMO
Pe. J. B. Lemius, O. M. I.

Baseado na Carta Encíclica
PASCENDI DOMINICI GREGIS
(Sobre o Modernismo)

Promulgada por Sua Santidade o
Papa S. Pio X
(em 8 de setembro de 1907)

"Nós precisamos agora quebrar o silêncio, para tornar bem conhecidos à Igreja esses homens tão mal disfarçados".
S. Pio X

Tradução da edição inglesa da
TAN BOOKS AND PUBLISHERS, INC.
Rockford, Illinois - USA - 1981

Nihil Obstat
Pe. Remy Lafort - Censor Librorum

IMPRIMATUR
† JOHN M. FARLEY - Arcebispo de Nova York


(19 de Março de 1908)


CARTA DE SUA EMINÊNCIA 
CARDEAL MERRY DEL VAL AO AUTOR

Reverendíssimo Padre:

Uma alta recomendação e, ao mesmo tempo, uma expressão da maior satisfação, é que, com prazer, transmito a V. Revma., em nome do Soberano Pontífice, após encaminhar a ele o esplêndido compêndio intitulado "Catecismo Sobre o Modernismo, baseado na Encíclica Pascendi Dominici Gregis".

31 agosto 2015

O SACRAMENTO DA CRISMA

São os Bispos ministros do Sacramento da Crisma.


Do Catecismo de São Pio X.

575) Que é o Sacramento da Confirmação?
A Confirmação, ou Crisma, é um Sacramento que nos dá o Espírito Santo, imprime na nossa alma o caráter de soldados de Cristo, e nos faz perfeitos cristãos.

576) De que maneira o Sacramento da Confirmação nos faz perfeitos cristãos?
A Confirmação faz-nos perfeitos cristãos, confirmando-nos na fé, e aperfeiçoando em nós as outras virtudes e os dons recebidos no santo Batismo; e é por isso que se chama Confirmação.

577) Quais são os dons do Espírito Santo que se recebem na Confirmação?
Os dons do Espírito Santo, que se recebem na Confirmação, são sete:

1º Sabedoria,
2º Entendimento;
3º Conselho;
4º Fortaleza;
5º Ciência;
6º Piedade;
7º Temor de Deus.

578) Qual é a matéria deste Sacramento?
A matéria deste Sacramento, além da imposição das mãos do Bispo, é a unção feita na fronte da pessoa batizada, com o santo Crisma; por isso, este Sacramento se chama também Crisma, que significa Unção.

579) Que é o santo Crisma?
O santo Crisma é óleo de oliveira misturado com bálsamo, e consagrado pelo Bispo na Quinta-Feira Santa.

580) Que significam o óleo e o bálsamo neste Sacramento?
Neste Sacramento, o óleo, que se derrama e fortalece, significa a abundância da graça que se difunde na alma do cristão para o confirmar na fé; e o bálsamo, que é aromático e preserva da corrupção, significa que o cristão fortificado por esta graça é capaz de difundir o bom aroma das virtudes cristãs, e de preservar-se da corrupção dos vícios.

581) Qual é a forma do Sacramento da Confirmação?
A forma atual do Sacramento da Confirmação é esta: Recebe o sinal do dom do Espírito Santo, que substituiu a antiga: Eu te assinalo com o sinal da Cruz, e te confirmo com o Crisma da salvação, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Assim seja.

582) Quem é o ministro do Sacramento da Confirmação?
O ministro ordinário do Sacramento da Confirmação e só o Bispo.

583) Com que cerimônias administra o Bispo a Confirmação?
O Bispo, para administrar o Sacramento da Confirmação, primeiro estende as mãos sobre os que estão para se crismar, invocando sobre eles o Espírito Santo; em seguida faz uma unção em forma de cruz com o santo Crisma na fronte de cada um, dizendo as palavras da forma; depois, com a mão direita, dá uma leve bofetada na face do crismado, dizendo: A paz seja contigo; e no fim abençoa solenemente todos os crismados.

584) Por que se faz a unção na fronte?
Faz-se a unção na fronte, onde aparecem os sinais do temor e da vergonha, a fim de que o crismado entenda que não deve envergonhar-se do nome e da profissão de cristão, nem ter medo dos inimigos da fé.



585) Por que se dá uma leve bofetada na face do crismado?
Dá-se uma leve bofetada na face do crismado para que saiba que deve estar pronto a sofrer todas as afrontas e todas as penas pela fé e amor de Jesus Cristo.



586) Devem todos procurar receber o Sacramento da Confirmação?
Sim, todos devem procurar receber o Sacramento da Confirmação e fazer que os seus subordinados o recebam.

587) Em que idade é conveniente receber o Sacramento da Confirmação?
A idade em que é conveniente receber o Sacramento da Confirmação é a de sete anos, pouco mais ou menos, porque então costumam começar as tentações e já se pode conhecer bastante a graça deste Sacramento, e conservar-se a lembrança de tê-lo recebido.

588) Que disposições se requerem para receber o Sacramento da Confirmação?
Para receber dignamente o Sacramento da Confirmação é necessário estar em estado de graça, saber os mistérios principais da nossa santa Fé, e aproximar-se deste Sacramento com reverência e devoção.

589) Cometeria pecado quem recebesse a Confirmação segunda vez?
Cometeria um sacrilégio, porque a Confirmação é um daqueles Sacramentos que imprimem caráter na alma e que portanto só se podem receber uma vez.

590) Que deve fazer o cristão para conservar a graça da Confirmação?
Para conservar a graça da Confirmação, o cristão deve orar freqüentemente, fazer boas obras, e viver segundo a lei de Jesus Cristo, sem respeito humano.

591) Por que também na Confirmação há padrinhos e madrinhas?
Para que estes, com as palavras e com os exemplos, orientem o crismado no caminho da salvação e o auxiliem nos combates espirituais.

592) Que condições se requerem no padrinho?
O padrinho deve ser de idade conveniente, católico, crismado, instruído nas coisas mais necessárias da religião e de bons costumes; e deve ser do mesmo sexo que o crismado.

593) Contrai algum parentesco com o crismado o padrinho de Crisma?
Sim, o padrinho de Crisma contrai parentesco espiritual com o crismado; mas este parentesco não é impedimento para o matrimônio.

*  *  *

EXTRATOS DE “O SACRAMENTO DA CRISMA”

Nascidos para a vida da graça pelo Batismo, é pelo Sacramento da Crisma que recebemos a maturidade da vida espiritual. Ou seja, somos fortalecidos pelo Divino Espírito Santo, que nos torna capazes de defender a nossa Fé, de vencer as tentações, de procurarmos a santidade com todas as forças da alma. Pelo Batismo nós nascemos, pela Crisma nós crescemos na vida da graça.
Pelo Batismo nós nascemos, pela Crisma nós crescemos na vida da graça.

A Crisma, como o Batismo e a Ordem, imprime caráter, ou seja, marca de modo indelével nossa alma, de modo que nunca mais perdemos a marca de crismados. Por essa razão não podemos receber a Crisma mais de uma vez, como também o Batismo e a Ordem.

Como sabemos que Jesus Cristo instituiu este Sacramento, se não aparece este fato no Evangelho?
Sabemos que verdadeiramente Jesus Cristo instituiu o Sacramento da Crisma porque os Apóstolos administraram este Sacramento, como aparece nos Atos dos Apóstolos (Atos, 8, 14) e porque a Igreja sempre ensinou esta verdade. Vejam o que já ensinava S. Cripriano, Bispo martirizado no ano 258: “Os batizados serão conduzidos aos Bispos, a fim de, por sua oração e imposição das mãos, receberem o Espírito Santo, e pelo selo do Senhor, serem perfeitos.”

Por que existem padrinhos para a Crisma?
Porque, como no caso do Batismo, é bom termos pais espirituais que nos apresentem à Igreja nesta ocasião tão importante, nos aconselhem nas lutas da vida, e rezem por nós. Por isso os padrinhos da Crisma devem ser bons católicos, terem sido crismados, tendo já idade suficiente para aconselhar seus afilhados.

Para terminar, devemos considerar que a Crisma é o Sacramento que aumenta o Amor de Deus em nosso corações. Aos sairmos da cerimônia da Crisma, como soldados de Cristo, temos nossos corações dilatados, abertos para muitas novas graças, capazes de amar a Deus com muito mais forças. É a ação do Divino Espírito Santo que realiza isso em nós.

Devemos estar atentos em deixá-Lo agir em nós, pois Ele vai nos guiar pelos difíceis caminhos da vida, vai nos encher o coração com muitas alegrias espirituais, com o gosto pela oração, com as forças para vencer as tentações. Só assim poderemos estar cada dia mais próximos do Coração de Nosso Senhor, para servi-Lo e amá-Lo para sempre.

21 maio 2015

CATECISMO DA SANTA MISSA

O CATECISMO DA SANTA MISSA




Baseado em livro de autor anônimo do Século XIX, publicado em 1975 pela EDICIONES RIALP - Madrid,
NIHIL OBSTAT de D. José Larrabe Orbegozo, Madrid, 27 de outubro de 1975
IMPRIMA-SE: Dr. D. José Maria Martim Patino, Pro-Vigário Geral
Apresentação de Angel Garcia Y Garcia







Glossário

LITURGIA: palavra grega composta de leiton, que significa público, e de ergon, que significa obra ou ato público, o que em português chamamos de serviço divino. Os livros que contêm o modo de celebrar os santos mistérios denominam-se liturgias.

Litúrgico: que pertence ou se refere às liturgias.

Liturgistas:
 escritores ouestudiosos de liturgia.

RITO: em latim ritus, significa um uso ou uma cerimônia que segue uma ordem determinada. Diz-se também rite ou recte para indicar o que está bem feito, com ordem, segundo o costume. Assim se diz rito romano ou milanês conforme prescrito em Roma ou Milão.

Rituallivro que prescreve o modo de administrar os sacramentos.

RITO MOÇÁRABE: rito utilizado nas igrejas de Espanha desde o início do século VIII até o final do século XI. A palavra moçárabe se refere aos espanhóis que subsistiram ao domínio dos árabes quando estes se apoderaram da Espanha em 712, e significa árabes externos, diferenciando-os dos de origem árabe. Este rito chamava-se normalmente de rito gótico, por ter sido seguido pelos godos cristianizados.

SACRAMENTAL: livro que continha as orações e as palavras que os bispos ou sacerdotes recitavam quando celebravam a Missa ou administravam os sacramentos. Posteriormente o específico dos bispos denominou-sepontifical, enquanto que o dos sacerdotes passou a ser sacerdotal, ritual ou manual.

MISSAL: livro que contem tudo o que se diz na Missa no decorrer do ano.

ANTIFONÁRIO: assim era chamado o livro que continha tudo o que se devia cantar no coro durante a Missa devido aos intróitos que tinham por título Antiphona ad introitum;