Meu Deus eu Creio, Adoro, Espero e Amo-Vos. Peço-Vos perdão para todos aqueles que não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam.

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Formação Católica

27 outubro 2018

FORA DE BOLSONARO NÃO HÁ SALVAÇÃO?

O dito 'Mito', salvador do Brasil, consagrado nos braços do povo.


Fora de Bolsonaro não há salvação?
Por Pedro Henrique.


“Deve haver proporção entre os princípios e as conclusões” 
(São Tomás de Aquino. Suma Teológica II-IIa, Q. 49, a. 2).


     A campanha conservadora pela vitória de Bolsonaro ultrapassa as fronteiras da razoabilidade. Se os moralistas concordam com a licitude de uma adesão material – consumada pelo voto –, que visa tão somente impedir, hipoteticamente, o governo do mais perverso, nem de longe eles admitem uma adesão formal, efetivada por uma militância pública – com propaganda, bandeiras, fogos e carreatas – pela vitória de um candidato, ainda que seja o menos corrupto. De um evitar o “mal maior”, favorecendo com profunda consternação um provável “mal menor”, a caravana do “mito” passa a proceder como se o mal, embora menor, fosse um grande bem, digno de ser apoiado publicamente mediante propaganda eleitoral, dando, além de uma possível adesão material, um ilícito consentimento.

     Quando diante de uma situação concreta escolhemos o “mal menor”, em hipótese alguma festejamos essa lamentável decisão. Nas situações ordinárias, naturalmente procuramos caminhos que irão proporcionar acúmulo de bens e não prejuízos. Embora tenha por objetivo impedir uma grande desgraça, não deixa de ser lastimável o favorecer, ainda que materialmente, um mal menor.

     Por isso quando somos assaltados, mesmo entregando o dinheiro ao criminoso (mal menor), lamentamos profundamente pelo bem roubado. Ninguém solta fogos de artificio ou faz carreata quando entrega seus bens ao ladrão. Mesmo com a vida intacta (bem maior), não deixa de ser um triste prejuízo o roubo dos bens menores. O mesmo se pode dizer de uma cirurgia. Quando alguém escolhe amputar a mão cancerosa (mal menor) para não perder a vida (mal maior), não organiza por isso uma festa para comemorar a perda de um valioso membro. Jamais se viu um paciente festejando porque terá a mão amputada. É com muito pesar que escolhemos perder algum bem para salvar bens maiores.  Portanto, não deixa de ser causa de lamentações escolher, contra a própria vontade, um mal menor que nos trará enormes prejuízos.

     Exemplo disso é a tolerância que por vezes a Igreja adota em relação ao culto dos hereges. Ela suporta com desgosto a existência de um mal com intenção de impedir outro mais prejudicial. Assim ensinou o Papa Pio XI na Carta Dum Civilis Societas de 1875:

“Se as circunstâncias o exigem, pode-se tolerar desvios na regra, quando  são  introduzidos  tendo  em  vista  evitar males maiores, sem contudo elevá-los à dignidade de direito, contra as eternas leis da justiça”

     Também o Papa Leão XIII, na Encíclica Libertas Paestantissimum:

“Embora não dando direitos senão àquilo que é verdadeiro e honesto, a Igreja não se opõe à tolerância que o poder público acha que tem que usar a respeito de certas coisas contrárias à verdade e à justiça, tendo em vista evitar mal maior ou procurar conservar um bem maior (...) A tolerância ao mal, pertence aos princípios da prudência política e deve ser rigorosamente limitada pelos limites exigidos por sua razão de ser, ou seja do bem público. Portanto se ela for prejudicial, ou se for para o Estado causa de um mal maior, como conseqüência não será permitido usar dela, uma vez que nestas condições falta  a razão do bem maior”.

     Desse princípio legítimo – nas condições estabelecidas pela Igreja – não segue que seja lícito ao clero, além de tolerar, favorecer formalmente as seitas mediante propaganda religiosa. Optar licitamente por um mal menor não significa uma permissão para militar por sua vitória ou desenvolvimento. O combate ao erro permanece, na tentativa de vencê-lo, ainda que tolerando sua existência para evitar um previsível mal maior.

     O mesmo deve ser aplicado nas questões políticas eleitorais. Escolher um mal menor, pela força da circunstância, tendo em vista impedir danos piores, não pode transmutar-se numa ilícita campanha eleitoral pelo triunfo do candidato indigno. Desse modo, teríamos não uma tolerância do mal e uma contribuição meramente material, mas uma ativa ação partidária que levianamente traveste o mal com roupagens de bem. É preciso recordar que, ainda que salvando a sociedade de perdas maiores, que seria em caso da eleição do mal maior, é de se deplorar os graves malefícios que Bolsonaro irá causar com sua rigorosa política contraceptiva-eugenista, com sua liberal e igualitária contribuição ao homossexualismo, entre outros gravíssimos objetivos e consequências de sua visão liberal-socialista.

     A eleição de Bolsonaro, apesar da boa intenção, deveria ser motivo de sofrimento, e não de carreatas e fogos comemorativos, em favor de um destruidor eugenista da família e da sociedade. Do mesmo modo, se uma tempestade destrói somente a casa, não atingindo a vida dos familiares, ainda assim não se presencia uma festa pelos bens não destruídos, mas uma tristeza pelos bens atingidos pela tempestade. 
     Quando somos forçados pela consciência a escolher pelo mal menor, isso nos causa aflição e não animação. É um pesar acompanhado de um certo bem relativo. Mas não deixa de ser lamentável permitir a destruição de bens tão valiosos para impedir a destruição de bens mais elevados. É uma circunstância de grande amargura e não de festanças que ignoram ou disfarçam, politicamente, a perversa destruição que fará Bolsonaro contra a Fé e a Moral do catolicismo.

     É essa ilícita adesão formal e antinatural que vem defendendo e promovendo o contraditório tomista Carlos Nougué, que deveria alicerçar suas ações politiqueiras na incólume metafísica de Santo Tomás. Não basta conhecer as páginas da Suma Teológica no que diz respeito às Virtudes Cardeais e Teologais. Principalmente quanto a prudência, faz-se necessário aplica-la nos casos concretos, para uma decisão e ação correta, geradora de bons frutos.