"O celebre novelista argentino Hugo WAST enviou este escrito para uma revista literária mexicana – Abside – em 1957. Até onde sabemos, parece que apenas foi publicado nesta revista não aparecendo em nenhuma de suas obras, pelo que cremos que é praticamente inédito.
O HOMEM QUE NUNCA HAVIA REZADO
Ia morrer: No sorriso artificial de todos, que tratavam de enganá-lo anunciando-lhe uma próxima melhora, via que ia morrer.
Não tinha fé, nem caridade, nem esperança.
Nunca havia rezado e se jactava disso, como de uma façanha; não tinha apego à vida, nem temor da morte.
Dentro de uma hora, de duas, no máximo três, deixaria de viver.
Pediu que se afastassem para dormir um pouco e fechou os olhos.
Queria espiar os mínimos detalhes de seu próprio perecimento: uma imensa curiosidade; algo pueril, incrível.