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30 julho 2015

RICARDO CORAÇÃO DE LEÃO


Ricardo Coração de Leão

Saladino foge de Jaffa humilhado por Ricardo Coração de Leão

Após a conquista de Jaffa, o sentimento unanime do exército pedia empreender logo o sitio de Jerusalém.

Em três ocasiões o rei Ricardo chegou tão perto da Cidade Santa que acreditou-se terem voltado as horas maravilhosas de julho de 1099 quando os cruzados tomaram Jerusalém.

No dia de Natal de 1191 eles estavam a só vinte quilômetros da cidade sagrada. Naquele momento, relata Ambrósio, os soldados lustravam alegremente seus elmos, os doentes diziam-se sarados para ver eles também, a cúpula do Templo.

Porém para surpresa de todos, Ricardo deu meia volta. É que do ponto de vista estratégico as circunstancias não eram as mesmas da primeira cruzada.

Godofredo de Bouillon pôde iniciar com toda tranqüilidade o sítio de Jerusalém porque nenhum exército muçulmano viria a perturbar sua tarefa. Mas, para Ricardo as coisas não estavam no mesmo pé.

Saladino com um exército superior em número era dono das redondezas. Ele acompanhava de perto os movimentos de Ricardo e as tropas turcas dominavam o topo dos morros prestes a cair sobre a retaguarda da coluna franca se ela empreendia o assalto das muralhas de Jerusalém.

Como experimentado capitão, o fogoso Ricardo recusou-se a se engajar numa operação tão arriscada longe de suas bases, no meio do planalto da Judéia.

Ele voltou com seu exército até a costa e iniciou conversações oficiais com Saladino.

Mas, como as negociações se protelavam, em junho de 1192, Ricardo iniciou um segunda ofensiva sobre Jerusalém. No dia 12 pela manhã enquanto perseguia com um pelotão da vanguarda a uma patrulha muçulmana, ele chegou a avistar a cidade santa.



Mas, ainda dessa vez ele evitou atacar uma praça tão solidamente defendida com Saladino hostilizando seus flancos.

O moral do exército ficou atingido por esta indefinição. Para recuperá-lo, o rei-cruzado planejou um lance deslumbrante.

Os beduínos que ele tinha posto a seu serviço avisaram-lhe que uma enorme caravana muçulmana saíra do Egito em direção da Síria, e que sob a proteção de um esquadrão de mamelucos iria atravessar o deserto de Judá.

Ouvindo a notícia, Ricardo pulou na sela do cavalo junto com o duque de Borgonha e cento e cinqüenta cavaleiros. Todos partiram ao galope em direção ao sudoeste. Foi na noitinha do domingo 20 de junho.

Eles cavalgaram toda a noite sob o luar e só desceram dos cavalos no sul de Ascalão. Lá, um beduíno avisou que a caravana fizera uma parada a vinte quilômetros de distância, no Oasis do Poço Redondo, em pleno deserto de Negeb.

Ricardo mandou seus cavaleiros envolverem as cabeças com um caffieh de acordo com o estilo beduíno, e no fim do dia partiu de novo direto para o sul. Ele ia à vanguarda e o duque de Borgonha na retaguarda.

Eles marcharam a noite toda. Uma bela noite do verão palestino conduziu-os sem problemas através das dunas até o oasis do Poço Redondo onde a caravana repousava sem nada desconfiar. Animais e pessoas dormiam entre as sacas de mercadorias descidas das bestas.

Pouco antes do amanhecer, Ricardo deu ordem de ataque. A surpresa foi completa. A escolta de mamelucos foi a primeira a debandar.

Os caravanistas abandonaram animais e mercadorias e fugiram, eles também, pelo deserto de Negeb.

O butim consistiu em fileiras intérminas de camelos carregados de oro, panos de seda, veludo e púrpura, bacias e peças de cobre, castiçais de prata, armaduras damasquinadas, tabuleiros de marfim, sacas de açúcar e pimenta, todos os tesouros e todas as guloseimas do velho Islã.

Golpes brilhantes como esse apenas dissimulavam a situação embaraçosa de Ricardo. Ele não conseguia constranger Saladino a um combate decisivo, nem conseguia dele uma paz de compromisso.

Em julho de 1192, o rei subiu rumo a Beirute deixando em Jaffa apenas uma débil guarnição. Aproveitando esse afastamento, Saladino jogou-se de improviso sobre a cidade em 26 de julho.

Os sapadores muçulmanos conseguiram já no primeiro dia provocar um desabamento na muralha exterior. Porém, por trás da brecha assim aberta, os franceses acenderam imensos fogos. Protegidos pelas chamas e pela fumaça, eles impediam aos muçulmanos de penetrar na cidade.

“Que admiráveis guerreiros são esses homens ‒ não pôde deixar de exclamar Behâ ed-Din, testemunha visual ‒ quê coragem!”

Em 31 de julho o muro caiu definitivamente.

“Quando a nuvem de poeira dissipou-se, ‒ registrou o mesmo adepto do Islã ‒ percebemos uma cortina de albardas e lanças que substituía o muro derrubado e fechava tão bem a brecha que o simples olhar não conseguia atravessá-la. Viu-se então o espetáculo aterrorizante da intrepidez dos Francos, da calma e da precisão de seus movimentos”.

Quando os francos não conseguiram mais defender a cidade baixa, eles retiraram-se em boa ordem para dentro da cidadela.

Porém, pese a tudo, pelo fim da tarde eles tinham iniciado conversações para se renderem. No dia seguinte, 1º de agosto, eles preparavam-se para capitular quando nas primeiras horas do amanhecer uma frota cristã apareceu de improviso diante de Jaffa.

Era o rei Ricardo que, alertado miraculosamente, acorria em galeras genovesas com as primeiras tropas que ele conseguira reunir.

Foi então que se viu o que é que era o rei da Inglaterra.

O poema épico de Ambrósio deixou para a posteridade um quadro inesquecível desta cena. Sem esperar que os navios encostassem em terra, Ricardo, com um machado dinamarquês na mão, pulou no mar com a água até a cintura, correu até a praia, limpou-a de muçulmanos, penetrou na cidade, surpreendeu a multidão de inimigos em plena pilhagem das casas e fez uma horrível carnificina. Depois, deu uma mão à guarnição liberada, precipitou-se sobre o exército de Saladino e tomou seu acampamento e perseguiu-o até Yazur.

“O rei, cantou Ambrósio, levantou sua tenda no próprio local de onde Saladino fugira. Foi lá que acampou Ricardo Magno. Jamais, nem mesmo em Roncesvalles, um paladino realizou uma façanha comparável”.

Béhâ ed-Din, de seu lado, transmitiu-nos os ditos mordazes do rei em relação aos muçulmanos vencidos :

“Vosso sultão é o maior soberano que já teve o Islã, e eis que minha simples presença o fez dar às de vila-diogo! Vede, eu sequer tenho uma armadura; em meus pés há simples sandálias de marinheiro. Portanto, eu não vinha a lhe dar combate! Por que é que ele fugiu?”

(Fonte: René Grousset, « L’épopée des croisades », Perrin, 2002, collection tempus, 321 pp., capítulo XII).

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