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"Para ser santa é necessário sofrer muito, ambicionar o que há de mais perfeito e esquecer-se de si mesmo." |
O ESPÍRITO DE SACRIFÍCIO
"Não há nada maior no universo do que Jesus Cristo; não há nada mais sublime em Jesus Cristo que o Seu sacrifício".
(Rene Banzin, A doce França, p. 86)
Que veremos neste capítulo?
1º- A natureza do espírito de sacrifício;
2º- A sua importância;
3º- Os meios a empregar para incutir nas crianças.
1º- A natureza do espírito de sacrifício
O que é o espírito de sacrifício?
O espírito de sacrifício é uma virtude que consiste em saber sofrer por uma intenção que eleva.
Quais são as formas principais do espírito de sacrifício?
1º- A resignação cristã em face dos males que é preciso sofrer.
Em todo o dia há que sofrer; o calor, o frio, uma dor de cabeça, uma contrariedade, uma repreensão, uma afronta, etc.
2º- Uma prática espontânea de certas mortificações, que alentam e desenvolvem a virtude.
Uma criança que se haja habituada a aceitar os pequenos sofrimentos da vida, sem se queixar e a oferecê-los a Deus; que se tenha acostumado a ajudar o seu esforço pessoal e livre aquilo que as circunstâncias lhe impõe, essa criança terá o espírito de sacrifício.
2º- A importância do espírito de sacrifício
"Tudo esmorece, tudo se estiloa, tudo morre na criança a quem nada se recusa".
(Mons. Gibier, A desorganização da família, p. 315)
Qual é a importância do espírito de sacrifício?
É imensa. Por que se pode dizer que a felicidade, a virtude, a santidade e a salvação dependem dele.
Como pode o espírito de sacrifício dar a felicidade?
1º- Disciplinando os nossos desejos.
A felicidade, com efeito, não consiste na fruição desta ou daquela soma de vantagens materiais ou morais. É o resultado do equilíbrio entre aquilo que se deseja e o que se tem.
Ora o coração humano, entregue a si próprio, é insaciável: as satisfações que lhe são concedidas não fazem senão aumentar os seus desejos. Somente a disciplina interior, quer dizer o espírito de sacrifício, pode reduzir a ansiedade de gozar a proporções razoáveis, em harmonia com aquilo que possui.
Parece-nos sobremaneira admirável a reflexão daquele campónio que passeava na rua mais comercial duma grande cidade, à hora em que, ao cair da noite, as ondas de luzes, nas montras dos armázens, faziam rebrilhar os objetos mais variados, próprios para excitar a cobiça dos trausentes:
- Que coisa de que eu não tenho necessidade, dizia ele.
E era feliz. Devia ser um homem capaz de se sacrificar.
2º- Produzindo esse delicado prazer que a generosidade dá sempre aos corações bem nascidos. Quando se fazem generosamente os sacrifícios que as ocasiões oferecem, encontra-se nisso uma tal felicidade que se tem pena quando esses sacrifícios já não são necessários. Neste mundo, quanto mais sacrifícios se fazem, mais felizes nos sentimos.