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14 dezembro 2015

O VATICANO II DESENTERRADO - COMENTÁRIO ELEISON - 434

Comentários Eleison - por Dom Williamson
CDXXXIV (434) - (07 de novembro de 2015)

O Vaticano II Desenterrado

Um Deus diminuído, esvaziado, retalhado,
Não atrairá. Seja Cristo novamente coroado.

Acabei de reler Pope John’s Council [O Concílio do Papa João], de Michael Davies, escrito em 1977 e com pouca necessidade de ser atualizado quase 40 anos mais tarde. Talvez Michael Davis tenha sido muito amável com o Concílio, mas existem muitas verdades importantes no livro, motivo pelo qual pode ser calorosamente recomendado a qualquer um que esteja iniciando seus estudos sobre ele. Especialmente interessante é o Apêndice VI, que consiste em uma revisão escrita pelo Professor Louis Salleron, em 1936, sobre o até então recém-surgido livro Humanismo Integral, do filósofo francês Jacques Maritain (1882-1973).

Este livro interessou tanto a um padre italiano, Giovanni-Battista Montini, que ele o traduziu para o italiano. Mais tarde, tornou-se o Papa Paulo VI, o principal arquiteto do Vaticano II. Assim, Salleron desenterra as raízes do Concílio, 26 anos de ele começar.

Humanismo Integral apresenta a visão de Maritain sobre um novo futuro para uma remodelada Cristandade. A civilização burguesa está condenada, mas ao invés de a Igreja continuamente condenar a centralização do homem do humanismo, que permitiu a ascensão da Revolução Francesa (1789), que permitiu a ascensão daquela burguesia, a Revolução precisa ser reconhecida como parte de um processo histórico contínuo e inevitável, o qual o Cristianismo pode e deve aceitar. Por esse meio, enquanto todo o curso da história moderna não pode ser parado, não obstante, por Cristo o humanismo pode se tornar verdadeiramente, completamente humano, transformando-se em um “humanismo integral”. O Cristianismo, então, reconstruído sobre fundações modernas, trará Cristo ao homem moderno e o homem moderno a Cristo: eis a admirável intenção de Maritain, de Paulo V e de Dom Fellay.

Mas “de boas intenções o inferno está cheio”, diz o velho e sábio provérbio. Salleron admira muitas coisas no livro de Maritain, filósofo especialista em tomismo que sabia bem, diz Salleron, como apresentar qualquer ideia de modo a não contradizer a doutrina católica. Mas Salleron objeta fortemente contra a leitura de Maritain sobre a história moderna, e a chama de “marxista”. Karl Marx (1818-1883) também começou pelas raízes da civilização burguesa, mas concluiu que ela deveria ser completamente rejeitada pela Revolução em andamento, com o intuito de abrir caminho para o sonho de uma sociedade sem classes, que funcionou, na realidade, como o pesadelo do comunismo. Nesse sentido, Maritain rejeita as conclusões de Marx, mas aceita sua análise da história, para dessa maneira modelar um novo acordo do Cristianismo, que trabalharia para o homem moderno: nem a modernidade em fundações modernas (Marx e Wagner), nem Cristo em fundações de Cristo (Pio X – ver especialmente sua Letter on the Sillon – e Monsenhor Lefebvre), mas Cristo em fundações modernas. O resultado é aquele neocristianismo que pode ser encontrado nos documentos do Vaticano II, a saber: Cristo é a verdadeira realização do homem – não que o homem esteja ordenado a Cristo e a Deus, mas Deus e Cristo é que estão ordenados ao homem.

Infelizmente, soluções de acordo não funcionam com Nosso Senhor. Ele diz, “Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto vem do maligno” (Mt. V, 37). E “aquele que não está comigo, está contra mim” (Mt. XII, 20).

Uma religião do verdadeiro Deus centrada no homem é uma contradição de termos. Salleron aponta que não há nada de inevitável na marcha da história moderna tal qual Marx e Maritain imaginaram. Se o homem moderno está caminhando em direção ao Demônio, é pela livre escolha do homem. O que liberais como Maritain, Paulo VI e Monsenhor Fellay não compreendem é a realidade do mal. Não compreendem que o homem moderno simplesmente não quer Cristo, e que Deus não forçará o homem a isto. Liberais diminuirão Deus para torná-lo atraente ao homem moderno, mas a maioria dos homens modernos virará as costas, com indiferença ou com repulsa. O Vaticano II tem sido um fracasso colossal, e o “humanismo integral” tem sido só mais um exemplo da desintegração deste humanismo, porque não é centrado em Deus.

A política, a economia, os bancos, as finanças, as artes, a medicina, a lei, a agricultura, toda a sociedade moderna tem submeter-se novamente ao Reinado Social de Cristo Rei. Esta era a solução de Monsenhor Lefebvre. É a única solução.
Kyrie eleison.


Tradução por Leticia Fantin Vescovi

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