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07 setembro 2015

VITORIOSO PELA FÉ - COMENTÁRIOS ELEISON - 2012

VITORIOSO PELA FÉ
ELEISON COMMENTS CCXII (06 de agosto de 2011)


Como resposta às convincentes críticas de Dom Tissier de Mallerais ao pensamento do papa Bento XVI, apresentadas resumidamente nos últimos quatro números desses “Comentários”, o que devemos dizer (Rom. VI, I)? Vejamos três argumentos com que bons Católicos procuram defender o Papa da acusação de que o seu pensamento não é Católico.

Uma primeira linha de defesa afirma, de forma geral, que todo o ataque ao Papa é ajuda aos inimigos da Igreja. Contudo, não é o dever primeiro do papa “confirmar os seus irmãos na Fé” (Lc. XXII, 32)? Assim, se o pensamento de um Papa se afasta seriamente da Fé, o apontar-lhe, com todo o respeito devido, no que dela se afasta, não é atacá-lo ou fazer o trabalho de inimigos da Igreja. É ajudá-lo a ver claro para cumprir seu dever, e a lembrar-lhe o único meio que há para conquistar os inimigos, que hoje são mais poderosos do que nunca: “A vitória que venceu o mundo é a nossa Fé”(I Jo. V, 4).

Uma segunda objeção ao argumento de Dom Tissier, própria de nossos tempos, é a de que o papa é prisioneiro no Vaticano, e que então ele não é livre para defender a Tradição Católica como gostaria. É verdade que os papas pós-conciliares têm sido cercados por influentes dignitários eclesiásticos que são mações secretamente determinados na destruição da Igreja. É também possível que, depois do Vaticano II, magnatas hajam passado a ter, no pescoço do Vaticano, um nó financeiro cada vez mais forte. Mas dinheiro suficiente viria com a verdadeira doutrina, se ela simplesmente fosse proclamada; e Bento XVI teria facilmente vitória sobre os mações à sua volta, se sua fé não estivesse presa aos erros hegelianos. Vitória pelo martírio? Haveria uma série de papas mártires, como na Igreja primitiva, se nós o merecêssemos, e o Vaticano estaria logo liberto novamente.

Uma terceira objeção direta foi aludida no “EC” passado: que Bento XVI ostenta acreditar não só na fé e na razão que se corrigem mutuamente, mas também na fé tradicional. Portanto – continua a objeção -, ele acredita absolutamente em que o próprio corpo crucificado de Jesus ergueu-se vivo com sua alma humana da sepultura na manhã de páscoa, de tal modo que se ele diz ao homem moderno que o verdadeiro sentido da ressurreição não é um corpo material que sai de uma sepultura material, mas o amor espiritual que conquista a morte, fá-lo somente para tornar a ressurreição mais acessível ao descrente homem moderno.

Porém, Santo Padre, o corpo crucificado levantou-se ou não vivo da sepultura material? Se não, pare de acreditar que sim, pare até de aparentar que sim, e desista de ser Papa de católicos iludidos. Mas, se ele sim se levantou da tumba, então ISSO é o que deve Vossa Santidade dizer ao pobre homem moderno; e é a descrença deste que Vossa Santidade deve – perdoe-me a linguagem – lançar-lhe à cara. O homem moderno não precisa ouvir sobre amor, amor, amor. Ele já o ouve o dia inteiro! Ele precisa ouvir que Nosso Senhor, verdadeiramente ressuscitado, tanto deteve Seus implacáveis inimigos em seus planos, como transformou seus abatidos Apóstolos em conquistadores.

Santo Padre, é inútil tentar falar ao mundo com a sua própria linguagem corrompida. Conquiste-o com a linguagem de Nosso Senhor! E se Vossa Santidade se vir obrigado a dar-nos o exemplo do martírio, deverá crer que esse é o exemplo que muitos de nós precisaremos em um futuro não distante. Em seu favor humildemente rezamos.

Kyrie eleison.

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