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04 setembro 2015

O BATISMO SEGUNDO SANTO TOMÁS - SUMA TEOLÓGICA PARTE III QUESTÃO 66


Suma Teológica - Parte III - Questão 66




1 - Será o Batismo um simples banho?

Objeção 1 - É óbvio que o Batismo não é um mero banho, pois o banho no corpo é uma coisa transitória, mas o Batismo é algo permanente, e portanto, o Batismo não é um mero banho, mas sim, "a regeneração, o selo, a salvaguarda, a iluminação", como diz Damasceno (De Fifr Orth. IV).

Objeção 2 - Além disso, o grande São Vítor (De Sacram II) diz que "O Batismo é água santificada pela palavra de Deus para tirar as manchas do pecado". Mas o banho por si mesmo não é apenas a água, mas um determinado uso da água.

Objeção 3 - Também Santo Agostinho (Trat. LXXX super João) diz: "A palavra é adicionada ao elemento e isto se torna um Sacramento". Então, o elemento é a água, dessa forma, o Batismo é a
água, e não o banho, senão, em caso contrário, está escrito (Eclo 34,30): "Aquele que se banha a si mesmo depois de tocar o morto, se o tocar novamente, de que valeu seu primeiro banho?", dando a impressão que o Batismo é um simples banho, porém eu respondo que no Sacramento do Batismo, três coisas precisam ser consideradas a saber:

a) O que é "apenas o Sacramento" - Aquilo que é apenas Sacramento, é alguma coisa visível e externa, o sinal correspondente ao efeito interno; deste modo, é a verdadeira natureza do Sacramento. Esta exterioridade é algo que pode ser percebida pelos sentidos, ou seja, é a própria água, e seu uso, que é o banho. Conseqüentemente, alguém falou que a água é por si mesma o Sacramento, o que parece ser o propósito da passagem referida do grande São Vítor. Pela definição geral de um Sacramento, ele disse que o Sacramento é "um elemento material", e definindo o Batismo ele disse que ele é "água".

Mas isso não é verdade. Por conseqüência do Novo Testamento, os Sacramentos tem uma certa santificação; então o Sacramento é completado quando a Santificação é completada. Mas, a santificação não é completa na água, mas somente uma certa santificação de virtude instrumental não permanente, mas apenas transiente, passa da água, na qual ela existe, para a pessoa que é o sujeito da verdadeira Santificação.

Conseqüentemente, o sacramento não estará completo na própria água, mas na aplicação da água à pessoa, isto é, no banho, pois diz o Senhor (IV,3): "O Batismo é o banho exterior do corpo feito juntamente com palavras de fórmulas prescritas".

b) O que é "realidade e Sacramento" e

c) O que é "apenas realidade" - O caráter Batismal é tanto realidade como Sacramento, porque ele é alguma coisa de real significado pelo banho externo, e um sinal sacramental da justificação interna, e esta última é apenas a realidade neste efetivamente chamado Sacramento assim significado, e não apenas significando.

Voltando à objeção 1, na qual é tanto Sacramento como realidade, isto é, o caráter, e também na qual é apenas realidade, isto é, a justificação interna permanece; o caráter permanece e é indelével, como dito acima (63,5), a justificação permanece, porém pode ser perdida. Conseqüentemente, Damasceno definiu o Batismo, não como aquilo que é feito externamente, e é apenas o Sacramento, mas como aquilo que fica interno. Assim sendo, ele definiu duas coisas como pertencentes ao caráter: uma chamada "Selo", e outra "Salvaguarda", visto que como o caráter que é chamado de Selo, então como ele próprio é interessado, protege a alma no bem.

Ele também definiu duas coisas pertencentes à realidade do Sacramento: "regeneração" que se refere ao fato da pessoa, quando batizada, começa uma nova vida de honradez e iluminação, no que se refere especialmente à fé pela qual a pessoa recebe a vida espiritual de acordo com Habacuc 2 (Hb 10,38; cf. Hab 2,4): "Mas (meus) homens justos vivem pela fé", e o Batismo é um tipo de afirmação da fé, por este motivo ele é chamado "Sacramento de Fé".

Do mesmo modo, Dionísio definiu o Batismo por sua relação com outros Sacramentos, dizendo (Ecl. Hier. II) que ele é "o princípio que forma os hábitos da alma para a recepção daquelas mais sagradas palavras e Sacramentos", e ainda, por sua relação à glória do céu, que é a finalidade universal de todos os Sacramentos, onde ele junta: "a conferência de nossa mais sagrada e Divina regeneração".

Retornando à objeção 2, como já declarado, a opinião do grande São Vítor nesta questão não é seguida. Todavia, o dizer que "o Batismo é a água" pode ser analisado como a água sendo o princípio material do Batismo, e assim poderia ser um "predicado casual".

Referindo à objeção 3, quando as palavras são adicionadas o elemento torna-se um Sacramento, não no próprio elemento mas na pessoa sobre a qual o elemento é aplicado, sendo utilizada a água para lavá-la. Realmente, este é o significado pelo qual as verdadeiras palavras são adicionadas ao elemento, quando se diz: "Eu te batizo...".


2 - Teria sido o Batismo instituído depois da Paixão de Cristo?

Objeção 1 - Parece que o Batismo foi instituído depois da Paixão de Cristo porque a causa precede o efeito pois a Paixão de Cristo opera nos Sacramentos da Nova Lei. Mas a Paixão de Cristo precede a instituição dos Sacramentos na Nova Lei, especialmente o Sacramento do Batismo, uma vez que o Apóstolo disse (Rm 6,3): "Todo aquele que for batizado em Jesus Cristo será batizado em Sua morte..."

Objeção 2 - É fato que os Sacramentos na Nova Lei tem sua eficácia proveniente das ordens de Cristo, mas Cristo deu aos discípulos a ordem do Batismo, depois de Sua Paixão e Ressurreição, quando Ele disse: "Vão, ensinem a todos os povos, batizando-os em nome do Pai..." (Mt 28,19). Assim sendo, o Batismo foi instituído depois da Paixão de Cristo.

Objeção 3 - Assim o Batismo é um Sacramento necessário como declarado acima (65,4) porque aparentemente ele precisa ser obrigatório à pessoa como foi instituído. Mas antes da Paixão de Cristo, as pessoas não eram obrigadas a ser batizadas pois pela Circuncisão adquiriam a força, porém a Circuncisão foi suplantada pelo Batismo. Consequentemente o Batismo foi instituído antes da Paixão de Cristo.

Ao contrário, Santo Agostinho disse em um sermão na Epifania (Apd. Serm., CLXXXV): "Tão logo Cristo foi mergulhado nas águas, as águas lavaram os pecados de todos", mas isto ocorreu antes da Paixão de Cristo, então, parece que o batismo foi instituído antes da Paixão.

Eu respondo que: como foi estabelecido acima (62,1), os sacramentos possuem de sua instituição a força da graça conferida. Todavia parece que um Sacramento é apenas instituído quando ele recebe o poder de produzir seu efeito. Então, o Batismo recebeu seu poder quando Cristo foi batizado, e consequentemente o Batismo foi realmente instituído nessa ocasião, se o considerarmos como Sacramento. Todavia, a obrigação de receber este sacramento foi proclamada ao gênero humano depois da paixão, morte e ressurreição.

Primeiro porque a Paixão de Cristo colocou um fim nos sacramentos figurativos que foram suplantados pelo Batismo e os outros Sacramentos da Nova Lei.

Segundo porque o Batismo das pessoas é "adaptado" à Paixão e Ressurreição de Cristo, então, a pessoa morre para o pecado e começa uma vida nova com honradez. Consequentemente ele levou Cristo ao sofrimento e à ressurreição, antes proclamando às pessoas sua obrigação de adaptarem-se à idéia da Morte de Cristo e de sua Ressurreição.

Réplica à Objeção 1: Entretanto, antes da Paixão de Cristo, o Batismo foi prenunciado, mas obteve sua eficácia dessa Paixão, e não da mesma maneira que os sacramentos da Velha Lei, pois esses eram meros figurativos enquanto o Batismo obtém o poder da justificação do Próprio Cristo, a cujo poder a própria Paixão deve sua virtude salvadora.

Réplica à Objeção 2: Nunca foi mencionado por Cristo, que as pessoas precisam ficar restritas a determinados preceitos, mas Ele veio cumprir e trocar os preceitos por Sua verdade. Porém, antes de Sua paixão, Ele não tornou o Batismo obrigatório tão rapidamente como havia sido instituído, mas desejou que as pessoas fossem acostumadas ao seu uso, especialmente visando os Judeus, para os quais todas as coisas eram figurativas, como diz Santo Agostinho (contra Faust. IV), mas depois de Sua Paixão e Ressurreição Ele tornou obrigatório o Batismo, não somente aos Judeus, mas também aso Gentios, em relação a quem Ele deu a ordem a seus discípulos "Vão, ensinem a todos os povos e os batizem" (Mt 28,19).

Réplica à Objeção 3: Os Sacramentos não são obrigatórios, com exceção de quando nós somos forçados a recebê-los, e isto não era assim antes da Paixão, como ficou explicado acima. Pelas palavras de nosso Senhor a Nicodemos (Jo 3,5): "Se as pessoas não nascerem novamente pela água e pelo Espírito Santo, não poderão entrar no Reino de Deus", e isso se refere ao futuro tanto quanto ao presente.


3 - Será a água a única matéria do Batismo?

Objeção 1 - Parece que a água não é propriamente a matéria do Batismo, pois no Batismo, de acordo com Dionísio (Ecl. Hier, V), e Damasceno (De Fide Orth. IV), existe um poder de iluminação. Mas essa iluminação é uma característica especial do fogo. Todavia, o Batismo pode ser conferido com fogo em vez de água e, além do mais, enquanto João Batista disse enquanto profetizava o Batismo de Cristo (Mt. 3-11): "Ele irá batizá-Lo no Espirito Santo e pelo fogo..."

Objeção 2 - Entretanto, a eliminação dos pecados pelo lavamento está contida no Batismo, mas muitas outras coisas além da água é utilizada no lavamento, tais como, vinho, óleo, sal etc. Assim sendo, o Batismo pode ser conferido também com essas substâncias, e consequentemente a água não é a única matéria do Batismo.

Objeção 3 - Sabe-se que os Sacramentos da Igreja apareceram ao lado de Cristo pendurado na cruz, como afirmado anteriormente (perg. 62, art. 5), mas não apenas a água apareceu, mas também o sangue, e assim pode-se pressupor que o Batismo pode também ser aplicado com sangue, e isto significa que assim teremos uma maior afirmação do efeito do Batismo pois está escrito (Ap 1-5): "(Quem) lavou-nos de nossos pecados pelo Seu sangue..."

Objeção 4 - Santo Augustinho (cf. Orações Principais, IV-3) e Bede (Exposit. In Lc. III-21) dizem: Cristo pelo "toque de Sua mais pura matéria dotou as águas com uma virtude regeneradora e limpadora... ", mas todas as águas não estão conectadas com as águas do Rio Jordão, o qual foi tocado pelo corpo de Cristo; consequentemente, parece que o Batismo não pode ser conferido com qualquer água, e portanto, por isto, a água não é a única substância do Batismo.

Objeção 5 - Se a água como tal fosse a única matéria do Batismo, não seria necessário fazer nada à água antes de utilizá-la para um Batismo; mas, em Batismos solenes, a água utilizada é exorcizada e abençoada. Assim sendo, temos a impressão que a água como tal, não é a única matéria do Batismo.

Ao contrário, nosso Senhor diz (João 3-5): "Se as pessoas não renascerem pela água e pelo Espírito Santo, elas não poderão entrar no reino de Deus".

Eu respondo que: Por Divina instituição, a água é a única substância do Batismo, pelas seguintes razões:

Primeiro, pela razão da verdade natural do Batismo, que é uma regeneração à vida espiritual, e isto responde à natureza da água em um grau especial: uma vez que as sementes, das quais provêm todas as coisas vivas, como pessoas, plantas e animais, são umedecidas e semelhantes à água. Por esta razão, alguns filósofos sustentam que a água é o princípio de todas as coisas.

Segundo, com vistas aos efeitos do Batismo, ao qual corresponde as propriedades da água, pelo motivo de sua umidade, ela limpa, e então ela adequadamente causa a limpeza dos pecados. Pelo motivo de sua baixa temperatura, ela tempera o calor supérfluo, enquanto certamente mitiga a conseqüência da sede. Pelo motivo de sua transparência, ela é suscetível á luz, daí sua adaptabilidade ao Batismo como "Sacramento de Fé".

Terceiro, em virtude de a água ser apropriada para o significado dos mistérios de Cristo, pelos quais nós somos justificados, como diz Crisóstomo (Hom. XXV em João) em João 3-5: 'Se as pessoas não renascerem..." e "Quando nós mergulhamos nossas cabeças sob a água como uma espécie de túmulo, nosso velho corpo fica enterrado, e submerso, e oculto, e então ele levanta novamente e é renovado".

Quarto, como a água é universal e abundante, sua matéria está disponível para nossa necessidade deste sacramento, pois pode ser encontrada em qualquer parte.

Réplica à Objeção 1: O fogo ilumina ativamente, mas quem é batizado não pode vir a ser um luminoso, mas é abrilhantado pela fé, que "vem pelo ouvido" (Rm 10,17). Consequentemente a água é muito mais apropriada que o fogo para o Batismo.

Mas quando encontramos uma citação como "Ele o batizará no Espirito Santo e no fogo", podemos entender o fogo, como diz Jerônimo (In Mat. II), querendo dizer o próprio Espírito Santo, O Qual aparece sobre os discípulos sob a forma de línguas de fogo (At 2-3). Ou também podemos entender o significado de tribulação, como diz Crisóstomo (Hom. III in Mt.): "devido às tribulações, os pecados são lavados". Ou ainda, como diz Hilário (Super Mat. II) que "quando nós somos batizados no Espírito Santo" nós também ficamos "perfeitos pelo julgamento do fogo".

Réplica à Objeção 2: Vinho e óleo não são comumente utilizados para lavar como a água, bem como não o fazem eficientemente; em vez disso, se objetos são lavados por eles, ficam com o cheiro característico, que não é o caso da água. Além disso, eles não são tão universais e abundantes como a água.

Réplica à Objeção 3: A água saiu do lado de Cristo para nos purificar e o sangue para nos redimir. Entretanto o sangue pertence ao sacramento da Eucaristia, enquanto a água pertence ao Batismo. Assim sendo, o Batismo recebe a virtude de sua força do poder do sangue de Cristo.

Réplica à Objeção 4: O poder de Cristo foi colocado em todas as águas, não porque elas estivessem interligadas, porém pela sua espécie, como diz Santo Agostinho em um sermão da Epifania (App. Serm. CXXXV): "A benção que se seguiu após o Batismo do Salvador, como um rio místico, aumentou o curso de todas as correntes e preencheu os canais de todas as primaveras".

Réplica à Objeção 5: A benção da água não é essencial ao Batismo, mas faz parte de uma certa solenidade, por meio da qual a devoção do fiel é estimulada e a astúcia do demônio é obstruída com o impedimento provocado pelo efeito batismal.


4 - Será que para o Batismo é necessária água pura e cristalina?

Objeção 1: Parece que não é estritamente necessária a água pura e cristalina para o Batismo, pois a água que temos jamais será uma água pura como parece, principalmente na água dos mares e rios, nas quais existe uma considerável quantidade de elementos estranhos, como demonstra o Filósofo (Meteor.II). Assim sendo, não é possível realizar um Batismo normal com água pura.

Objeção 2: Além do mais, nas solenes celebrações do Batismo, o servo é mergulhado na água e isso causa a perda da pureza e da cristalinidade da água; assim sendo, a água pura e cristalina não é necessária ao Batismo.

Objeção 3: Também a água que correu do lado de Cristo quando pendurado na cruz, tomada como uma figura do Batismo, conforme estabelecido anteriormente (3 ad 3), aparentemente também não era uma água pura e cristalina, pois era proveniente do corpo de Cristo, onde haviam vários elementos misturados; assim sendo, a água pura e cristalina não é necessária ao Batismo.

Objeção 4: Também, a solução esterilizante não parece ser água pura, pois ela tem propriedades de aquecimento e secura, que é contrária àquelas da água; todavia parece que uma solução esterilizante pode ser usada no Batismo; para a água de banho pode também ser usada, a qual foi filtrada através de um canal sulfuroso, assim como a solução esterilizante é filtrada através de cinzas; assim sendo, a água pura e calma não é necessária ao Batismo.

Objeção 5: Também a água-de-rosas é destilada das rosas, assim como águas químicas são destiladas de certos corpos. Mas semelhantemente, estas "quase águas" podem ser utilizadas no Batismo, assim como água de chuva destilada por evaporação; e sendo assim, estas águas não são águas puras e cristalinas; portanto, a água pura e cristalina não é necessária ao Batismo.

Pelo contrário, a própria matéria do Batismo é a água, como definido anteriormente (art. 3), mas somente a água pura e cristalina tem a natureza de água. Então, água pura e tranqüila é necessária ao Batismo.

Eu respondo que: a água pode deixar de ser pura ou cristalina de duas formas: primeiro, quando é misturada a um outro corpo; e, segundo, por alteração. E cada uma dessas formas pode ocorrer de duplo modo: artificialmente e naturalmente. Porém a arte falha em comparação com natureza porque a natureza dá uma forma substancial que a arte não pode dar, pois enquanto a forma dada pela arte é acidental, exceto por acaso, onde a arte aplica o agente próprio à própria matéria - como fogo a um combustível - da mesma maneira que animais são produzidos a partir de certas coisas em putrefação.

Todavia, mesmo que algumas alterações artificiais ocorram na água, seja por mistura ou por alteração, a natureza da água não é alterada; consequentemente, aquela água poderá ser utilizada no Batismo, a menos que, talvez, apenas uma pequena quantidade de água seja misturada artificialmente com um corpo cuja composição é eventualmente outra que a da água; assim, barro ou lama é terra e não água, e vinho diluído é vinho e não água.

Mas se a alteração for natural, algumas vezes ela destrói a natureza da água, e isso ocorre quando, por um processo natural, a água penetra na substância do corpo no qual ela é misturada; por exemplo, a água no suco de uvas é vinho e portanto não tem a mesma natureza da água. Algumas vezes porém, poderá ocorrer uma alteração natural da água, sem a destruição das espécies, e isto, tanto por alteração como foi visto no caso da água aquecida ao sol, como por mistura, como quando a água de um rio venha a se turvar por estar misturada com partículas de terra.

Todavia nós precisamos dizer que qualquer água pode ser usada para o Batismo, não importa o quanto tenha sido alterada, desde que a natureza da água não tenha sido modificada; porém se isso ocorrer, a água será imprópria para o Batismo.

Réplica à Objeção 1: A alteração na água do mar e em outras águas que temos em mãos, não é tão grande para destruir a natureza da água, e portanto, essas águas podem ser utilizadas para o Batismo.

Réplica à Objeção 2: O servo, mergulhado na água, não destrói sua natureza, assim como essa natureza não será alterada se houver uma imersão de carne, ou quando a água for aquecida, exceto se a substância aquecida ou mergulhada fique dissolvida de tal forma que o líquido adquira uma natureza diferente da água e, neste caso, nós poderemos ser guiados pela gravidade específica. Se, todavia, do líquido engrossado pudermos extrair água cristalina, ela poderá ser utilizada para o Batismo.

Réplica à objeção 3: A água que brotou do lado de Cristo quando pendurado na cruz não era o humor fleumático, como supuseram alguns, mas sim água pura que brotou miraculosamente como se fosse o sangue de um animal morto, para provar a verdade do corpo de nosso Senhor. É claro que um líquido deste tipo não pode ser utilizado no Batismo, como também não pode o sangue de um animal, ou vinho, ou quaisquer líquidos extraídos de plantas.

Réplica à Objeção 4: O Batismo pode ser conferido com solução esterilizante e as águas sulfurosas, porque estas águas não se incorporam artificial ou naturalmente com os elementos misturados, e não sofrem alteração de sua natureza.

Réplica à Objeção 5: Água-de-rosas é um líquido destilado das rosas, consequentemente ele não pode ser utilizado no Batismo. Pela mesma razão, águas químicas também não podem ser utilizadas, assim como o vinho. Não se deve fazer a comparação com as águas de chuva, nas quais a maior parte é formada de vapores condensados, e esses vapores por si próprios, formados de águas dos mares e rios, e contêm um mínimo de impurezas, sendo que este líquido, pela força da natureza, que muito mais poderosa que a arte, transformou pelo processo de condensação em água real, um resultado que não pode ser conseguido artificialmente. Consequentemente, a água da chuva não retém quaisquer propriedades de uma mistura, o que não pode ser dito de uma água química.


5 - Será esta uma forma adequada para o Batismo: "Eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo"?

Objeção 1: Parece não ser muito adequada para o batismo a tradicional forma das palavras: "Eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo", pois a ação precisa ser designada ao agente principal em vez do ministro. O ministro do Sacramento atua como um instrumento como afirmado acima (perg. 64, art. 1), enquanto o principal agente do Batismo é Cristo, de acordo com João 1,33, "Ele, sobre o Qual, vós vistes o Espírito descer e permanecer sobre Ele, Ele é quem batiza". Assim sendo, não parece bem ao ministro "Eu te batizo...", além do fato de que, na versão latina, a palavra "Ego" (eu) já está contida na palavra "baptizo"*; então, dizer "Eu te batizo...", seria redundância.

Objeção 2: Também, não é necessário para as pessoas que praticam uma ação, fazer menção da ação feita; assim, aquele que ensina algo não precisa dizer "Eu ensino a vocês...". Então, nosso Senhor deu ao mesmo tempo os preceitos, tanto do batismo como do ensinamento, quando Ele disse (Mt 28,19): "Vão, ensinem (o evangelho) a todas as nações...". Assim sendo, não é necessário mencionar a ação do batismo (enquanto estiver batizando).

Objeção 3: Muitas vezes a pessoa batizada não entende as palavras; por exemplo, se ela é surda ou criança, é desnecessário discursar a cada uma. De acordo com Síraco 32,6: "Quando não há ouvintes, não desperdices palavras". Assim sendo, é desnecessário dizer à pessoa batizada as palavras "Eu te batizo..."

Objeção 4: Além disso, pode acontecer de várias pessoas serem batizadas por vários ministros ao mesmo tempo; desta maneira, os apóstolos batizaram três mil em um dia e, noutro dia, mais cinco mil (At 2,4). Portanto, a forma de Batismo não pode ser limitada a um número único na forma das palavras, "eu te batizo", mas deve possibilitar dizer "nós vos batizamos".

Objeção 5: Além disso, o Batismo deriva seu poder da Paixão de Cristo. Mas o Batismo é santificado pela forma. Assim, parece que a Paixão de Cristo deveria ser mencionada na forma do Batismo.

Objeção 6: Além disso, um nome significa a propriedade de algo. Mas existem três Propriedades Pessoais das Pessoas Divinas, como foi declarado no Livro I, Questão 32, Artigo 3. Portanto não podemos dizer "em nome do" mas "nos nomes do Pai e do Filho e do Espírito Santo".

Objeção 7: Além disso, a Pessoa do Pai é designada não apenas pelo nome de Pai, mas também por "Não Criado e Criador"; e o Filho é designado por "Verbo", "Imagem" e "Gerado"; e o Espírito Santo é designado por "Dom", "Amor" e "Procedente de Um". Assim, parece que o Batismo é válido se for conferido nesses nomes. Pelo contrário, nosso Senhor disse (Mt 28,19): "Ide... ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo." Eu respondo que o Batismo recebe sua consagração desta fórmula, de acordo com Ef 5,26: "purificados com o banho da água e santificados pela Palavra". E Agostinho disse (De Unico Baptismo IV) que "o Batismo é consagrado pelas palavras do Evangelho". Consequentemente, a causa do Batismo precisa ser expressada na forma batismal. Agora, esta causa é composta de duas formas: a causa principal da qual deriva sua virtude, e esta é a Santíssima Trindade; e a causa instrumental, que é o ministro que confere o sacramento exterior. Assim, ambas as causas devem ser expressas na forma do Batismo. Logo, o ministro é designado pelas palavras: "Eu te batizo" e a causa principal encontra-se nas palavras: "em nome do Pai e do Filho e Espírito Santo". Portanto, esta é forma adequada do Batismo: "Eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo".

Resposta à Objeção 1: A ação é atribuída a um instrumento como para o agente imediato mas, para o agente principal, na medida em que o instrumento age em virtude disto. Conseqüentemente é isso que se ajusta na forma batismal que o ministro deve mencionar para realizar o ato de batizar, nas palavras: "eu te batizo". De fato, nosso Senhor atribuiu aos ministros o ato de batizar, quando disse: "Batizai-os" etc. Mas a causa principal é indicada como conferir o sacramento por Seu próprio poder, nas palavras: "em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo"; para Cristo, não é possível batizar sem o Pai e o Espírito Santo.

Os gregos, entretanto, não atribuem o ato de batizar ao ministro, para evitar o erro daqueles que, no passado, relacionavam o poder batismal aos batizantes, dizendo (1Cor 1,12): "Eu sou de Paulo... e eu de Cefas". Por esse motivos eles usam a forma: "Que o servo de Cristo, (nome), seja batizado em nome do Pai" etc. E já que a ação realizada pelo ministro é expressada com a invocação do Trindade, o sacramento é validamente conferido. Quanto à adição do "Ego" (=eu) em nossa forma, ela não é essencial, mas é adicionada para aumentar a ênfase sobre a intenção.

Resposta à Objeção 2: Já que um homem pode ser lavado com água por diversas razões, o objetivo para isto deve ser expresso através das palavras da forma. E isto não é feito ao se dizer: "em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo", pois estamos limitados a fazer todas as coisas sob aquele Nome (Col 3,17). Logo, a não ser que o ato de batismo seja expresso - seja da forma como fazemos ou como os gregos fazem - o sacramento não é válido. Isto está de acordo com o decreto de Alexandre III: "Se alguém mergulhar uma criança três vezes na água em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, Amém, sem dizer: 'Eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém', tal criança não foi batizada".

Resposta à Objeção 3: As palavras que são expressas nas formas sacramentais são ditas não meramente para o propósito de significação, mas também para o propósito de eficiência, na medida em que elas derivam sua eficácia do Verbo, daquele por quem "todas as coisas foram feitas". Consequentemente, elas são convenientemente endereçadas não apenas para os homens, mas também para as criaturas insensíveis, como por exemplo, quando dizemos: "Eu te exorcizo, criatura" (no ritual romano).

Resposta à Objeção 4: Várias pessoas em conjunto não têm como batizar uma outra, ao mesmo tempo, já que a ação é multiplicada de acordo como o número de agentes, não podendo ser perfeitamente praticada por cada um deles. Então, se duas pessoas vierem a se combinar, e uma delas permanecer muda, sendo incapaz de expressar as palavras, e a outra estiver sem mãos e for incapaz de executar a ação, elas, mesmo em conjunto, não poderão batizar ao mesmo tempo, ainda que um profira as palavras e a outra execute a ação.

Por outro lado, em caso de necessidade, é possível se batizar várias pessoas ao mesmo tempo. mesmo assim, nenhum deles receberá mais do que um só batismo. Mas será necessário, nesse caso, dizer: "Eu vos batizo". Isto não é uma alteração na forma, pois "vos" é o mesmo que "te e te". Porém, "nós" não significa "eu e eu", mas "eu e tu"; aqui sim, representaria uma mudança na forma.

Da mesma forma, seria mudança na forma dizer: "Eu me batizo"; consequentemente, ninguém pode batizar-se a si mesmo. Por essa razão Cristo quis ser batizado por João (Extra, De Baptismo et ejus effectu, cap. Debitum).

Resposta à Objeção 5: Embora a Paixão de Cristo seja a causa principal se comparada com o ministro, ainda assim é uma causa instrumental que é comparada à Santíssima Trindade. Por esse motivo, a Trindade é mencionada ao invés da Paixão de Cristo.

Resposta à Objeção 6: Ainda que exita três nomes pessoais para as Três Pessoas, não existe mais que um nome essencial. O poder divino que opera no Batismo pertence à Essência. É por isso então que dizemos "em nome" em não "nos nomes".

Resposta à Objeção 7: Da mesma forma que a água é usada no Batismo, já que ela é mais comumente empregada para o banho, então, para o propósito de designar as Três Pessoas na forma do Batismo, estes nomes [Pai, Filho e Espírito Santo] são escolhidos, pois são geralmente usados em uma linguagem particular para significar as Pessoas. O sacramento não é válido se for conferido sob quaisquer outros nomes.

*Baptizo - na forma latina não se diz "Ego baptizo", mas apenas "baptizo", pois o pronome já fica implícito no verbo. O pronome apenas é utilizado quando se quer enfatizar bastante o sujeito, como quando Cristo diz "Ego sum alfa et omega" (Eu sou o alfa e o omega - o começo e o fim); então o pronome é utilizado para enfatizar que Ele, e apenas Ele é o começo e o fim. (N.doT.)


6 - Poderá o Batismo ser conferido em nome de Cristo?

Objeção 1: Parece que o Batismo pode ser conferido no nome de Cristo. Justificando, existe apenas "uma fé", então, apenas "um Batismo" (Ef 4,5), mas também está escrito (At 8,12) que "em nome de Jesus Cristo eles foram batizados, tanto homens como mulheres". Portanto, agora também o Batismo pode ser conferido em nome de Cristo.

Objeção 2: Mas, diz Ambrósio (De Spiritu Sanctu I): "Se você menciona Cristo, você designa tanto o Pai, pelo qual Ele foi enviado, o próprio Filho que foi enviado, como o Espírito Santo, com o qual Ele foi enviado", então, o Batismo pode ser conferido em nome da Santíssima Trindade, como também pode ser conferido em nome de Cristo.

Objeção 3: O Papa Nicolau I, respondendo às questões feitas pelos Búlgaros, disse: "Aqueles que foram batizados em nome da Trindade, ou apenas no nome de Cristo, como nós vemos nos Atos dos Apóstolos (como é tudo igual, disse Ambrósio), não precisam ser rebatizados, Mas eles deverão ser batizados novamente se eles tão tiveram um batismo válido, de acordo com a fórmula: 'Eu te batizo em nome de Cristo...'".

Ao contrário, o Papa Pelagius II escreveu ao Bispo Gaudêncio: "Se qualquer pessoa que vive em seu episcopado, disser que foi batizado apenas em nome do Senhor, não tenha dúvida: batiza-o novamente em nome da Santíssima Trindade quando ele admitir a fé Católica". Dídimo também disse (De Espiritu Sancto): "Se de fato existir deste mesmo modo, alguém com a pente tão estranha à fé que batize omitindo um dos nomes antes mencionados, (das três Pessoas), esses batizados são inválidos".

Eu respondo que, como ficou estabelecido acima (perg. 64, art. 3), os Sacramentos obtém sua eficácia pela instituição de Cristo. Consequentemente, se qualquer coisa instituída por Cristo for omitida em relação ao Sacramento, esse Sacramento será inválido, salvo por especial dispensa d'Ele, que não ligou Seu poder aos Sacramentos.

Então, como Cristo ordenou o Sacramento do Batismo para ser dado com invocação da Trindade, e consequentemente, é mais que necessária a completa invocação da Trindade, senão, a integridade do Batismo será destruída, assim, não é suficiente, para o Batismo, que no nome de uma única Pessoa, outra esteja implícita, como no nome do Filho está implícito o nome do Pai, ou no caso daquele que menciona o nome de uma só Pessoa e esteja se referindo às Três, pois, como o Sacramento precisa de uma matéria sensível, também precisa de uma fórmula sensível. Por esta razão, para a validade do Sacramento, não é o bastante pensar ou acreditar na Trindade, a menos que a Trindade seja expressada com palavras sensíveis. Por esta razão, no Batismo em Cristo, onde está a fonte da santificação de nosso Batismo, a Trindade está presente em símbolos sensíveis, ou seja, o Pai na Voz, o Filho na natureza humana, e o Espírito Santo na pomba.

Réplica à Objeção 1: Era por uma especial revelação de Cristo que na Igreja primitiva, os apóstolos batizavam em nome de Cristo, uma vez que o nome de Cristo era odioso tanto a judeus como gentios, e passou a ser um objeto de veneração, de modo que o Espirito Santo foi concedido no Batismo na invocação daquele nome.

Réplica à Objeção 2: Ambrósio aqui dá a razão porque a exceção poderia, sem inconsistência, ser atribuída à Igreja Primitiva, a saber, devido à Trindade total ser impelida no nome de Cristo e, todavia, conforme prescrito por Cristo no Evangelho, foi observada Sua integridade, apesar de estar implicita.

Réplica à Objeção 3: O Papa Nicolau confirma suas palavras citando as duas premissas formuladas nas objeções anteriores; portanto, a resposta a esta é clara e proveniente das duas soluções dadas antes.


7 - Será a imersão na água necessária ao Batismo?

Objeção 1: Parece que a imersão na água é necessária ao Batismo porque está escrito (Ef 4,5): "Uma fé, um Batismo"; mas, em muitas partes do mundo, o processo comum de Batismo é por imersão; todavia, parece que o Batismo pode ser feito sem imersão.

Objeção 2: Enquanto o Apóstolo diz (Rm 6,3-4): "Todos aqueles que nós batizamos em Cristo Jesus, estão batizados em Sua morte, pois nós morremos junto com ele, pelo Batismo na morte". Mas isto é feito por imersão e Crisóstomo diz sobre João 3,5: "Se a pessoa não renascer da água e do Espírito Santo..." e "quando mergulhamos nossas cabeças sob a água como numa espécie de túmulo, nossa velha pessoa fica morta e, estando submergida, está escondida abaixo, e então, ela sobe novamente, renovada". Assim sendo, parece que a imersão total é necessária ao Batismo.

Objeção 3: Todavia, se o Batismo é válido sem a total imersão do corpo, segue-se que seria suficiente derramar água sobre qualquer parte do corpo. Mas isso parece irracional uma vez que o perdão do pecado original, que é o principal propósito do Batismo, não está apenas em uma parte do corpo. Assim sendo, parece que a imersão total é necessária ao Batismo.

Ao contrário, está escrito (Hb 10,22): "Deixe-nos ficar próximo a um verdadeiro coração repleto de fé, tendo nossos corações limpos de toda má consciência e nossos corpos lavados com água limpa".

Eu respondo que, no Sacramento do Batismo, a água é colocada em uso para lavar o corpo, por meio da qual significará a limpeza interna dos pecados. Assim sendo, a limpeza pode ser feita com água, mas não apenas pela imersão, mas também por aspersão ou infusão.

Todavia, sendo válido batizar por imersão, pois esta é a forma mais comum, o Batismo pode ser conferido por simples imersão ou também por derramamento de água, de acordo com Ez 36,25 : "Derramarei sobre você a água limpa", como também o Abençoado Lourenço relatou que assim realizou Batismos.

Este tipo de Batismo deve ser especialmente utilizado em casos de urgência: tanto porque haja um grande número de pessoas a serem batizadas, como ficou claro o caso relatado em At 2 e 4, onde podemos ler que em um dia foram batizados três mil e, no outro dia, cinco mil, ou por haver uma quantidade muito pequena de água, ou por motivo de fraqueza do ministro, ou por doença do batizando, cuja vida poderá correr perigo se houver imersão.

E, dessa forma, podemos concluir que o Batismo não necessitará ser feito obrigatoriamente por imersão total.

Réplica à Objeção 1: O que é acidental para uma coisa, não diversifica sua essência. A lavagem corporal com água, é essencial para o Batismo, todavia, o Batismo é chamado "lavagem (limpeza)", de acordo com Ef 5,26: "purificando-a com a lavagem da água pela palavra da vida"; mas porquanto a purificação pode ser feita desta ou daquela maneira, ela é acidental ao Batismo, e consequentemente, esta diversidade não destrói a unidade do Batismo.

Réplica à Objeção 2: O sepultamento de Cristo é mais claramente representado pela imersão, então, este modo de batizar é mais freqüentemente utilizado e o mais recomendado. Atualmente, nos outros processos de Batismo não é simbolizada, depois da fórmula, embora não claramente, de nenhum modo como é feita a lavagem: se o corpo da pessoa ou alguma parte dele, deve ser colocado sob a água como o corpo de Cristo foi colocado sob a terra.

Réplica à objeção 3: A principal parte do corpo, especialmente em relação aos membros exteriores, é a cabeça, onde todos os sentidos, tanto interiores como exteriores, florescem. Além disso, se o corpo não pode ser coberto pela água, devido à escassez de água ou por qualquer outra razão, será necessário derramar água sobre a cabeça, na qual o principio da vida animal se manifesta.

Porém, o pecado original é transmitido através dos membros que servem à procriação; Mas esses membros não são molhados em preferência à cabeça porque, pelo Batismo, a transmissão do pecado original à descendência não é apagada, mas a alma da pessoa estará livre da corrosão e do débito do pecado o qual havia sido contraído. Consequentemente, a cabeça precisa ser lavada preferencialmente, pois é nela que o trabalho da alma é manifestado.

Jamais na Velha Lei, o remédio contra o pecado original foi destinado ao membro da procriação porque aquele através do qual o pecado original deveria ser removido teria nascido da semente de Abraão, cuja fé significava a circuncisão, de acordo com Rm 4,11.


8- Seria uma imersão tripla essencial ao Batismo?

Objeção 1: Parece que uma tripla imersão é essencial ao Batismo, pois Santo Agostinho diz em um sermão no Símbolo, endereçado aos Neófitos: "Certamente, vocês foram mergulhados três vezes quando foram batizados no nome da Trindade. Certamente mergulhados três vezes porque foram batizados em nome de Jesus Cristo que, no terceiro dia, ressuscitou dor mortos. Então aquela tripla imersão reproduz o sepultamento do Senhor, pelo qual vocês foram sepultados com Cristo no Batismo". Então, a tripla imersão parece ser essencial ao Batismo, uma vez estabelecido que o Batismo inclui a Trindade de Pessoas, e também que nós precisamos ser amoldados ao sepultamento de Cristo. Dessa forma, podemos concluir que a tripla imersão é essencial ao Batismo.

Réplica à objeção 1: A Trindade atua como o principal agente no Batismo, porém, da mesma forma que o agente entra no efeito, no que diz respeito a forma e não no que se refere à matéria. Além do mais, a Trindade estará intrínseca ao Batismo pelas palavras da fórmula. Portanto, não é essencial para a Trindade ser incluída pelo modo no qual a matéria é utilizada; então isto é feito para ficar mais clara a importância da Trindade.

Objeção 2: Os Sacramentos obtêm sua eficácia das ordens de Cristo, e a imersão tripla foi ordenada por Cristo: o Papa Pelágio II escreveu ao Bispo Gaudêncio: "O preceito do Espírito dado pelo Próprio nosso Deus e Senhor, nosso Salvador Jesus Cristo, adverte-nos para conferir o Sacramento do Batismo a cada um dos nomes da Trindade, e portanto, com tripla imersão". Então, como é essencial no Batismo chamar o nome da Trindade, também será essencial a tripla imersão.

Réplica à Objeção 2: O Papa Pelágio entendeu a tripla imersão ordenada por Cristo no seu equivalente, ou seja, no sentido de que Cristo ordenou que o Batismo fosse conferido "em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo". Aqui, da mesma forma podemos argumentar como no final da réplica à objeção 1, vista acima, a respeito do uso da matéria.

Objeção 3: Se a imersão tripla não é essencial ao Batismo, segue-se que o Sacramento do Batismo é conferido na primeira imersão e portanto, se uma segunda e terceira imersões são adicionadas, parece que o Batismo é conferido na segunda ou na terceira vez, o que é um absurdo. Assim sendo, uma imersão não é suficiente para o Sacramento do Batismo e, portanto, é essencial a tripla imersão.

Réplica à Objeção 3: Como estabelecido antes (perg. 64, art. 8), a intenção é essencial ao Batismo; consequentemente, o Batismo resulta da intenção do ministro da Igreja, a qual entende conferir o Batismo por imersão tripla. Todavia, Jerônimo diz sobre Ef 4,5-6: "'Um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos' - Sobre o Batismo ", isto é, a imersão, "ser repetida três vezes levando em conta o mistério da Trindade, realmente é um único Batismo". Se, todavia, a intenção fosse conferir um Batismo a cada imersão, mesmo com a repetição das palavras, isto seria um pecado, pois seria uma repetição do Batismo.

Ao contrário, Gregório escreveu ao Bispo Leandro: Nunca poderá ser repreensível batizar uma criança tanto com tripla como com simples imersão, pois a Trindade pode ser representada nas três imersões, assim como a Unidade divina é representada na imersão única.

Eu respondo que: Como ficou estabelecido acima (arts. 7 e 1) a lavagem com água é por si mesma requerida ao Batismo, sendo essencial ao sacramento, enquanto o modo de aplicação dessa água é acidental ao sacramento. Consequentemente, como Gregório diz nas palavras acima mencionadas, ambas, tanto a simples como a tripla imersão são consideradas legais, então, uma imersão significa a unidade entre a morte de Cristo e Deus, enquanto a imersão tripla significa os três dias do sepultamento de Cristo, e também a Trindade das Pessoas.

Mas por várias razões, de acordo com o que a Igreja ordenou, se um modo está em prática em um certo tempo, o outro estará em outro tempo. Por conseguinte, desde os primórdios da Igreja, alguns deram a falsa noção no que concerne à Trindade, assegurando que Cristo seria um mero homem e que Ele não é chamado "Filho de Deus" ou "Deus", exceto pela razão de Seu mérito, o qual foi magnificado em Sua morte, por esta razão eles não batizariam em nome da Trindade, mas em memória da morte de Cristo, e com uma única imersão. Isto foi condenado pela Igreja antiga. Todavia, nos Cânones Apostólicos (XLIX) podemos ler: "Se algum Padre ou Bispo conferir o Batismo sem a imersão tripla na única administração do mesmo, mas com uma única imersão, cujo Batismo é dito a ser conferido na morte do Senhor, que seja deposto do cargo.", pois nosso Senhor não disse: "batize-os em Minha morte", mas sim "Batize-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo."

Mais tarde, todavia, apareceu o erro de certos cismáticos e hereges, que rebatizavam, como relata Agostinho sobre os Donatistas (Super. João, cf. De Haeresiae LXIX). Todavia, contrariando o erro, uma única imersão foi recomendada pelo IV Concílio de Toledo, nos atos dos quais se lê: "Com a finalidade de evitar escândalos dos cismas, ou a prática de ensinamentos hereges, recomendamos uma imersão simples no Batismo."

Mas agora que este motivo cessou, a imersão tripla é universalmente observada no Batismo, e consequentemente qualquer um que batize pecará gravemente se não seguir o ritual da Igreja. Mas o Batismo em si é considerado válido.

Desta maneira, a morte de Cristo é suficientemente representada em uma única imersão, e a representação dos três dias de Seu sepultamento não é necessário para a nossa salvação porque, veja bem, se Ele tivesse ficado morto ou sepultado por um único dia, isto seria o suficiente para consumar a nossa redenção; então, aqueles três dias foram ordenados para que se manifestasse a realidade de Sua morte, como estabelecido acima (perg. 53, art. 2). Fique claro, porém, que nem na parte da Trindade, nem na parte da Paixão de Cristo é essencial ao sacramento a tripla imersão.


9- Pode o Batismo ser reiterado?

Objeção 1: Parece que o Batismo pode ser reiterado. O Batismo foi instituído para lavar os pecados, mas os pecados são reiterados, assim sendo, muito mais precisa o Batismo ser reiterado, pois a benevolência de Cristo supera a ganância humana.

Réplica à Objeção 1: O Batismo obtém sua eficácia da Paixão de Cristo como ficou estabelecido antes (arts. 2 e 1). Todavia, os pecados subsequentes não invalidam a Paixão de Cristo, então também não cancelam o Batismo para que seja feita sua repetição. Por outro lado, o pecado que impedisse o efeito do Batismo poderia ser eliminado pela Penitência.

Objeção 2: Efetivamente João Batista recebeu uma recomendação especial de Cristo, O Qual disse a ele em Mt 11,11: "Em verdade vos digo que, entre os nascidos de mulher, não surgiu outro maior que João, o Batista; mas aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que ele". Mas aqueles que foram batizados por João, foram batizados novamente, conforme Atos, 19,1-7: "E sucedeu que, enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo tendo atravessado as regiões mais altas, chegou a Éfeso e, achando ali alguns discípulos, perguntou-lhes: 'Recebestes vós o Espírito Santo quando crestes?' Responderam-lhe eles: 'Não, nem sequer ouvimos que haja Espírito Santo'. Tornou-lhes ele: 'Em que fostes batizados então?' E eles disseram: 'No batismo de João'. Mas Paulo respondeu: 'João administrou o batismo do arrependimento, dizendo ao povo que cresse naquele que após ele havia de vir, isto é, em Jesus'. Quando ouviram isso, foram batizados em nome do Senhor Jesus. Havendo-lhes Paulo imposto as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo, e falavam em línguas e profetizavam. E eram ao todo uns doze homens." Muitos mais, como esses foram rebatizados pois haviam sido batizados por hereges ou pecadores.

Replica à Objeção 2: Como diz Agostinho baseado em João 1,33: "'Eu não o conhecia; mas o que me enviou a batizar em água, esse me disse: Aquele sobre quem vires descer o Espírito, e sobre ele permanecer, esse é o que batiza no Espírito Santo' - Estejam certos de que, quando João administrava o seu Batismo, esse Batismo era válido, mas se um criminoso administrasse o Batismo de João, esse Batismo não seria válido, porque João dava seu próprio Batismo; Depois da morte de Cristo, e por isso mesmo, o sacramento é tão sacro que nem mesmo a administração por um assassino pode contaminá-lo."

Objeção 3: No Concílio de Nicéia (Cânon XIX) foi dito que se "Qualquer dos Paulianistas ou Catafígios for convertido à Igreja Católica, eles precisarão ser batizados", e a mesma coisa se pode dizer em relação a outros hereges. Assim sendo, aqueles a quem os hereges batizaram, precisarão ser batizados novamente.

Réplica à Objeção 3: Os Paulianistas e os Catafrígios não usam batizar em nome da Trindade. Todavia, Gregório escreveu ao Bispo Quírico dizendo: "Aqueles hereges que não são batizados em nome da Trindade, como os Bonosianos e Catafrígios" (que são do mesmo pensamento dos Paulianistas), "então o autor não acredita que Cristo é Deus" (afirmando que Ele é um mero homem) "além de que os últimos (Catafrígios), são tão perversos que, como diz Montano, confundem um mero homem com o Espírito Santo; portanto, todos eles deverão ser batizados caso venham para a Santa Igreja, pois o batismo que receberam naquele estado de erros não foi um Batismo verdadeiro, pois não foi conferido em nome da Trindade." Por outro lado, como ficou determinado em De Eclesiam, Dogma XXII: "Aqueles hereges que foram batizados confessadamente em nome da Trindade, poderão ser recebidos na Fé Católica como realmente batizados."

Objeção 4: O Batismo é necessário para a salvação, mas algumas vezes existe dúvida a respeito do batismo de algumas pessoas; então, parece necessário batizá-las novamente.

Replica à Objeção 4: De acordo com o Decreto de Alexandre III: "Aqueles cujo Batismo seja duvidoso, deverão ser batizados com estas palavras prefixadas à fórmula: 'Se você é batizado, eu não o rebatizo, porém, caso você não seja batizado, então eu te batizo em nome do Pai etc.' e assim jamais ficará repetido o Batismo.".

Objeção 5: A Eucaristia é um sacramento mais perfeito que o Batismo, como estabelecido acima (perg. 65, art. 3), e mesmo assim, a Eucaristia é muitas vezes repetida; então, com muito maior razão o Batismo pode ser reiterado.

Replica à Objeção 5: Ambos os sacramentos, tanto Batismo como Eucaristia são uma representação da Paixão e Morte de nosso Senhor, mas não da mesma forma. Enquanto o Batismo é uma comemoração da morte de Cristo na qual um homem morre com Cristo, e pode nascer novamente em uma vida nova, a Eucaristia é uma comemoração da morte de Cristo, a qual sofrida por Ele Mesmo é oferecida a nós como o banquete Pascal, de acordo com 1Cor 5,7-8: "Expurgai o fermento velho, para que sejais massa nova, assim como sois sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, já foi sacrificado. Pelo que celebremos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da malícia e da corrupção, mas com os ázimos da sinceridade e da verdade." E enquanto o homem nasce novamente quando ele come muitas vezes, assim o batismo lhe é dado uma vez, mas a Eucaristia lhe é dada freqüentemente.

Pelo contrário, está escrito (Ef 4:5): "uma fé, um Batismo".

Eu respondo que o Batismo não pode ser reiterado: Primeiro: porque o Batismo é uma regeneração espiritual, pela qual a pessoa morre para uma antiga vida e começa a viver uma nova. Também está escrito em João 3,5: "Se a pessoa não renascer pela água e pelo espirito Santo, ela não poderá entrar no reino do Deus"; e, uma pessoa pode renascer apenas uma vez. Assim sendo, o Batismo não pode ser reiterado, da mesma forma que a geração carnal. Todavia, Agostinho, baseado em João 3,4: "como pode uma pessoa entrar no ventre de sua mãe e nascer novamente", diz: "precisa ser entendido o nascimento do Espírito, como Nicodemos entendeu o nascimento da carne... então, como na carne não haverá o retorno ao ventre da mãe, da mesma forma, não pode haver um segundo Batismo."

Segundo: porque "nós somos batizados na morte de Cristo", pela qual, morremos para o pecado e vivemos novamente em "novidade de vida" (Rm 6,3-4: "Ou, porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida."). Então, "Cristo morreu", mas "apenas uma vez" (Rm 6,10: "Pois quanto a ter morrido, de uma vez por todas morreu para o pecado, mas quanto a viver, vive para Deus.").

Assim sendo, o Batismo não pode ser reiterado. Por esta razão, (Hb 6,4-6: "Porque é impossível que os que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus, e os poderes do mundo vindouro, e depois caíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; visto que, quanto a eles, estão crucificando de novo o Filho de Deus, e o expondo ao vitupério.") é dito que os que desejam batizar-se novamente estarão "crucificando novamente o Filho de Deus", e portanto, "uma morte de Cristo significa um só Batismo".

Terceiro: porque o Batismo imprime um caráter indelével, e é conferido com uma certa consagração. Portanto, como outras consagrações, não são reiteradas na Igreja, assim também não o é o batismo. Esta é a visão expressa por Agostinho que diz (Contra Epist. Parmen. II) que "o posto militar não é renovado", e que "o sacramento de Cristo não é menos duradouro que esta condecoração corporal, então podemos ver que nem mesmo os apóstatas serão desprovidos do Batismo, e portanto, se eles se arrependerem e voltarem à Igreja, não serão batizados novamente".

Quarto: porque o Batismo é conferido principalmente como um remédio contra o pecado original, e portanto, como o pecado original não pode ser renovado, então o Batismo também não pode, e também está escrito em Rm 5,18: "Portanto, assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação e vida".


10 - Será que a Igreja observa um rito salutar no Batismo?

Objeção 1: Parece que a Igreja mantém um rito não apropriado no Batismo, pois Crisóstomo (Cromácio em Mt 3,13-17: "Então veio Jesus da Galiléia ter com João, junto do Jordão, para ser batizado por ele. Mas João O impedia, dizendo: 'Eu é que preciso ser batizado por Ti, e Tu vens a mim?' Jesus, porém, lhe respondeu: 'Consente agora; porque assim nos convém cumprir toda a justiça'. Então ele consentiu. Batizado que foi Jesus, saiu logo da água; e eis que se Lhe abriram os céus, e viu o Espírito Santo de Deus descendo como uma pomba e vindo sobre Ele; e eis que uma voz dos céus dizia: 'Este é o Meu Filho amado, em quem Me comprazo'") diz: "As águas do Batismo não servem para purgar os pecados daqueles que acreditam que nunca foram abençoados pelo contato com o Corpo de nosso Senhor." Ora, isso apenas tem lugar no Batismo de Cristo, que é comemorado na festa da Epifania. Todavia, o Batismo solene pode ser celebrado tanto na Epifania, como na véspera da Páscoa e Pentecostes.

Réplica à Objeção 1: Cristo foi batizado na Epifania, com o Batismo de João, como ficou determinado acima; com esse batismo [de João], realmente, os fiéis não são batizados, mas sim com o Batismo de Cristo. Esta é a eficácia da Paixão de Cristo de acordo com Rm 6,3-4: ("Ou, porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida.") e no Espirito Santo, de acordo com João 3,5 ("Jesus respondeu: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus."): todavia, é esse Batismo Solene confirmado pela Igreja, na véspera da Páscoa, quando comemoramos o sepultamento e ressurreição de nosso Senhor; por esta razão, nosso Senhor deu a seus discípulos a ordem de conceder o Batismo, como é relatado por Mateus 28,19: ("E, aproximando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: 'Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos"), e na véspera de Pentecostes quando começa a celebração da Festa do Espírito Santo. Por esta razão os apóstolos relataram ter batizado milhares de pessoas no próprio dia de Pentecostes quando todas receberam o Espírito Santo.

Objeção 2: Parece que muitos materiais não deveriam ser utilizados no Batismo, como o é a água. Mas não é apropriado que uma pessoa ao ser batizada necessite ser bastante untada com óleo santo, primeiro no peito, e depois entre os ombros (nas costas), e uma terceira vez no alto da cabeça.

Réplica à Objeção 2: O uso da água no Batismo é uma parte das substâncias do sacramento, mas o uso do óleo é parte da solenidade. Como o candidato é primeiramente untado com o Santo Óleo, no peito e nas costas, como "aquele que luta por Deus" (usando a expressão de Ambrósio em De Sacram I ), pois era costume entre os lutadores vencedores, untarem-se a si mesmos. Ou ainda como diz Inocêncio III, em um decreto sobre a Santa Unção: "O candidato é untado no peito com a finalidade de receber a dádiva do Espírito Santo para expulsar erros, a ignorância e para o reconhecimento da verdadeira fé, pois 'o homem justo vive pela fé'; quando é untado nas costas o candidato será coberto com a graça do Espírito Santo, deixará de lado a indiferença e a preguiça, e virá ser ativo em bons trabalhos; então o sacramento da fé pode purificar os pensamentos de seu coração e fortalecer seus ombros para a carga do trabalho".

E depois, como diz Rabano (De Sacram III): "Ele é imediatamente untado na cabeça com o óleo santo, pelo padre que assim procede para fazer um pedido para que o neófito possa tomar parte no Reino de Cristo, e possa ser chamado de Cristão depois de Cristo". Ou, como diz Ambrósio (De Sacram III), sua cabeça é untada porque "os sentidos de um homem racional estão em sua cabeça" (Ecl. 2,14: "Os olhos do sábio estão na sua cabeça, mas o louco anda em trevas; contudo percebi que a mesma coisa lhes sucede a ambos.") Para ser astuto, pois, ele deve "estar pronto para satisfazer qualquer um que perguntar" a ele para dar "uma razão por sua fé" (cf. 1Pd 3,15: "antes santificai em vossos corações a Cristo como Senhor; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós.") e Inocêncio III, Decreto da Santa Unção).

Objeção 3: Enquanto, "em Jesus Cristo não existe macho ou fêmea" (Gal. 3,23: "Mas, antes que viesse a fé, estávamos guardados debaixo da lei, encerrados para aquela fé que se havia de revelar.") nem Bárbaros nem Citas" (Col. 3,10-12: "e vos vestistes do novo, que se renova para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou; onde não há grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, escravo ou livre, mas Cristo é tudo em todos. Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de coração compassivo, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade"), nem de qualquer forma alguém com distinções, muito menos pode uma diferença de roupas ter qualquer eficácia na Fé de Cristo. Então, é consequentemente um desajustamento o uso de uma roupa branca por aqueles que serão batizados.

Réplica à Objeção 3: Esta veste branca é utilizada não apenas porque seria ilegítimo, para o neófito, o uso de outras, mas como um sinal da gloriosa ressurreição, pela qual as pessoas renascem pelo Batismo, e para determinar a pureza da vida, para a qual a pessoa saltará depois de ser batizada de acordo com Rm 6,4: "Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida".

Objeção 4: O Batismo pode ser celebrado sem todas aquelas cerimônias, e então parece que tudo o que foi acima mencionado é supérfluo, e consequentemente foi, de modo não salutar, inserido pela Igreja no rito batismal.

Réplica à Objeção 4: Apesar de todas essas coisas que pertencem à solenidade de um sacramento e que não são essenciais a ele, não são supérfluas pois elas pertencem ao benefício do sacramento, como estabelecido acima.

Pelo contrário: a Igreja é regulamentada pelo Espírito Santo, o qual nada faz desordenadamente.

Eu respondo que: no Sacramento do Batismo, algo é feito que é essencial ao Sacramento, e algo é feito que pertence a uma certa solenidade do Sacramento. Realmente essencial ao Sacramento é tanto a forma que designa a principal causa do Sacramento, como também o ministro, que é causa instrumental, e o uso da matéria, chamada lavagem com água, que designa o principal efeito do Sacramento; mas todas as outras coisas que são observadas pela Igreja no rito batismal, pertencem a uma certa solenidade do sacramento, e estas, realmente, são utilizadas em conjunção com o Sacramento por três razões:

Primeira: para estimular a devoção dos fiéis assim como sua reverência ao Sacramento. Se nada mais fosse feito que um simples banho com água sem nenhuma solenidade, muitos iriam facilmente pensar que o Batismo seria apenas um banho comum.

Segunda: para uma maior instrução de fé, porque o povo simples e iletrado precisa ser tocado por sinais sensíveis, por exemplo, imagens, figuras etc. E neste caminho, por meio da cerimônia sacramental, essas pessoas são instruídas ou impelidas a procurar o significado daqueles sinais sensíveis, e, consequentemente, além do efeito principal do Sacramento, outras coisas precisam ser conhecidas sobre o Batismo, e essas coisas são representadas por sinais externos.

Terceira: porque o poder do demônio é restringido pelas preces, bênçãos, e impedido pelo efeito sacramental.


11- Será que os três tipos de Batismo são realmente descritos: Batismo de Água, Batismo de Sangue e Batismo do Espírito?

Objeção 1: Parece que os três tipos de Batismo não são realmente descritos: Batismo de Água, de Sangue e do Espírito (Espírito Santo). Pois o Apóstolo diz: (Ef. 4,4-5: "Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé, um só batismo). Assim sendo, existe apenas uma Fé, e portanto não poderá haver três batismos.

Réplica à Objeção 1: Os outros dois Batismos estão incluídos no Batismo de água, da qual ele retira sua eficácia, tanto da Paixão de Cristo como do Espírito Santo. Consequentemente, por esta razão a utilidade do Batismo não é destruída.

Objeção 2: Lembremo-nos que o Batismo é um sacramento pelo qual nós fomos limpos antes (perg. 65, art. 1). Fica claro que nenhum outro batismo, senão o da água, é o verdadeiro sacramento. Assim sendo, nós não devemos reconhecer os dois outros batismos.

Réplica à Objeção 2: Como ficou estabelecido acima (perg. 60, art. 1) o sacramento é uma espécie de sinal. Os outros dois, todavia, não estão, de fato, como está o Batismo da Água, na natureza do sinal, mas no efeito batismal. Consequentemente, não são sacramentos.

Objeção 3: Realmente, Damasceno (De Fide Orth. IV) distingue diversos tipos de Batismo, mas nós poderíamos admitir mais de três Batismos.

Réplica à Objeção 3: Damasceno enumera certos Batismos figurativos, por exemplo, "o Dilúvio" foi uma figura de nosso Batismo, com respeito à salvação da fé na Igreja. Então "umas poucas... almas foram salvas na arca (Vulgata) 'pela água'", de acordo com 1Pd 3,20. Ele também menciona "a travessia do Mar Vermelho" como sendo uma outra figura de nosso Batismo, em relação à nossa libertação da escravidão do pecado. Também o Apóstolo diz (1Cor 10,2) que "todos... fomos batizados na nuvem e no mar ". E ainda ele menciona "as diversas lavagens que eram costumeiras na Velha Lei, "as quais eram figuras de nosso Batismo, como limpeza dos pecados", e "o Batismo de João," que preparou o caminho para o nosso Batismo.

Pelo contrário, em Hb 6,2, "da doutrina dos Batismos", a interpretação diz: "é utilizado o plural porque existe o Batismo de Água, de Sangue e de Arrependimento."

Eu respondo que, como estabelecido antes (perg. 62, art. 5), o Batismo da Água tem sua eficácia a partir da Paixão de Cristo, pela qual um homem é conformado pelo Batismo e também pelo Espírito Santo como primeira causa. O efeito do Batismo depende da primeira causa, e a causa supera em muito o efeito, não apenas o faz, mas depende dele. Consequentemente, uma pessoa pode, sem o Batismo da Água, receber o efeito sacramental a partir da Paixão de Cristo, se estiver muito conformado com Cristo, pelo sofrimento Dele. Também está escrito (Ap 7,14: "Respondi-lhe: 'Meu Senhor, tu sabes'. Disse-me ele: 'Estes são os que vêm da grande tribulação, e lavaram as suas vestes e as branquearam no Sangue do Cordeiro'".

Dessa maneira, uma pessoa recebe o efeito do Batismo pelo poder do Espírito Santo, não apenas sem o Batismo da Água, mas também sem o Batismo do Sangue, visto que seu coração é movido pelo Espírito Santo para acreditar em amar a Deus e arrepender-se de seus pecados. Assim sendo, isto também é chamado Batismo do Arrependimento. A respeito disso, está escrito em Is 4,4: "Quando o Senhor tiver lavado a imundícia das filhas de Sião, e tiver limpado o sangue de Jerusalém do meio dela com o espírito de justiça, e com o espírito de ardor". Isto também é chamado Batismo, visto que isso toma o lugar do Batismo.

Mas Agostinho diz (De Único Baptismo Parvulorum IV): "O bem-aventurado Cipriano argumenta com considerável razão a respeito do ladrão que não era batizado, Jesus disse: 'Ainda hoje estarás comigo no Paraíso'; este sofrimento pode tomar o lugar do Batismo. Tendo isto se fixado em minha mente mais e mais, eu prescrevo que não apenas pode o sofrimento em nome de Cristo suprir a falta do Batismo, mas também a fé e conversão do coração, se porventura for levado em conta que devido à urgência do tempo, a celebração do mistério do Batismo for impraticável".


12 - Será o Batismo de Sangue o mais excelente dentre os Batismos?

Objeção 1: Parece que o Batismo de Sangue não é o melhor entre os três, pois o Batismo de Água imprime um caráter que o Batismo de Sangue não pode fazer, e assim sendo, o Batismo de Sangue não é melhor que o Batismo de Água.

Réplica à Objeção 1: Um caráter é tanto realidade como sacramento e nós não podemos dizer que o Batismo de Sangue é o melhor, considerando a natureza do sacramento, mas temos que considerar o efeito sacramental.

Objeção 2: Devido ao fato de que o Batismo de Sangue não é válido sem o Batismo do Espirito, o qual é válido pela caridade, e está escrito em 1Cor 13,3: "E ainda que distribuísse todos os meus bens para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria."; mas o Batismo do Espírito é válido sem o Batismo de Sangue, pois os mártires foram salvos. Assim sendo, o Batismo de Sangue não é o melhor.

Réplica à Objeção 2: O derramamento de sangue não está na natureza de um Batismo se for feito sem a caridade. Então fica claro que o Batismo de Sangue inclui o Batismo do Espírito, mas não reciprocamente. Assim sendo, esse batismo é imperfeito.

Objeção 3: Como efetivamente o Batismo de Água obtém sua eficácia a partir da Paixão de Cristo, como visto anteriormente (art. 11), o Batismo de Sangue corresponde à Paixão de Cristo e obtém sua eficácia do Espírito Santo, de acordo com Hb 9,14: "quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno Se ofereceu a Si mesmo imaculado a Deus, purificará das obras mortas a vossa consciência, para servirdes ao Deus vivo?". Então, o Batismo do Espírito é muito melhor que o de Sangue, e portanto o de Sangue não é o melhor.

Réplica à Objeção 3: O Batismo possui sua proeminência não apenas da Paixão de Cristo, mas também do Espírito Santo, como visto acima.

Pelo Contrário, Agostinho (Ad Fortunatum) falando da comparação entre os Batismos diz:
"Os neófitos batizados confessam sua fé na presença do padre; o mártir na presença do opressor. O batizando é aspergido com água depois que tiver confessado, depois com seu sangue, e depois, recebe o Espírito Santo pela imposição das mãos do Bispo (Crisma) e então seu corpo se torna templo do Espírito Santo".

Eu respondo que: Como ficou estabelecido antes (art. 11), o derramamento de sangue pelo sofrimento de Cristo e a operação interior do Espírito Santo são chamados batismos e, assim, produzem o efeito do Batismo da Água. Assim, o Batismo da Água recebe sua eficácia da Paixão de Cristo e do Espírito Santo, como também ficou estabelecido (art. 11).

Estas duas causas atuam em cada um destes três batismos, mais precisamente no Batismo de Sangue. A Paixão de Cristo atua no Batismo de Água por meio da representação figurativa; no Batismo do Espírito ou Arrependimento, por meio do desejo; mas, no Batismo de Sangue, por meio da iniciação do (Divino) ato. Dessa maneira, também o poder do Espírito Santo atua no Batismo de Água através de um certo poder invisível; no Batismo do Arrependimento, pela movimentação do coração; mas, no Batismo de Sangue, pelo maior grau de fervor, dedicação e amor, de acordo com João 15,13: "Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos".

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