Meu Deus eu Creio, Adoro, Espero e Amo-Vos. Peço-Vos perdão para todos aqueles que não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam.

Translate

English French German Spain Italian Dutch
Russian Portuguese Japanese Korean Arabic Chinese Simplified
By Translate Formação Católica

06 setembro 2015

A POLÍTICA DE JEREMIAS - COMENTÁRIOS ELEISON - 141




A POLÍTICA DE JEREMIAS


ELEISON COMMENTS CXLI (26 de Março de 2010)


Assim como Jeremias é o profeta do Velho Testamento para o Tempo da Paixão, igualmente é o profeta para os nossos tempos modernos. Que seja ele o profeta do Tempo da Paixão é evidente pela liturgia da Semana Santa, em que a Madre Igreja, para expressar o sofrimento em razão da Paixão e Morte de Nosso Senhor, inspira-se bastante nas “Lamentações” de Jeremias pela destruição de Jerusalém em 588 A.C. Que Jeremias seja o profeta de nossos tempos, é a opinião do Cardeal Mindszenty. Justifica-se ela, certamente, pelo fato de ter visto o Cardeal que os pecados do mundo de seu tempo mereciam, mais que os de Judá, as denúncias de Jeremias; e, também, porque os pecados de seu mundo levariam, muito seguramente, à destruição desse atual e pecaminoso modo nosso de vida.

Hodiernamente, no domínio da política e da economia, alguns comentaristas (acessíveis através da internet) vêem claramente como essa destruição aproxima-se. Entretanto, não a relacionam com a religião, porquanto eles próprios, como a maioria de seus leitores, principiando do baixo, não olham para cima. Jeremias, ao contrário, principiando de cima, com o dramático chamado de Deus (Capítulo I), mira a política, a economia e tudo mais, com a luz do Senhor dos Exércitos. Assim, depois de denunciar cada uma das terríveis perfídias de Judá, e cada um de seus pecados contra Deus, e após anunciar a punição de Judá em geral (Cap. II-XIX), faz ele profecias políticas em particular: os judeus serão levados cativos à Babilônia (XX) com seu rei, Sedecias (XXI), e os reis Joacaz, Joakim e Joaquim serão castigados (XXII).

As profecias não fazem muito popular a Jeremias. Os sacerdotes de Jerusalém prendem-no (XXVI), um falso profeta desafia-o (XXVII), e o próprio rei Joakim intenta destruir seus escritos (XXXVI). Por último os príncipes de Judá lançam-no em um poço de lodo para que morra, e de onde só foi resgatado por auxílio de um etíope (XXXVII). Imediatamente Jeremias aventura-se de volta à política, rogando – em vão – , ao rei Sedecias, a rendição aos Babilônios; conselho que, se seguido fosse, lhe teria poupado muito sofrimento.

Obviamente, as autoridades religiosas e seculares da decadente Jerusalém não gostavam do que o homem de Deus lhes dizia. Porém ao menos tinham senso religioso suficiente para levá-lo a sério. Não o repudiariam hoje a Igreja e o Estado por ser um “louco religioso”, mandando-lhe que ficasse “fora da política”? Não será verdade, hoje, que tanto a Igreja como o Estado de tal modo desligaram a política da religião, que não podem ver quão profundamente sua própria impiedade marca sua ímpia política? Em outras palavras, a relação dos homens com o seu Deus impregna e governa tudo o que fazem, ainda quando essa relação é, pela parte dos homens, de total indiferença a Deus.

Dessa forma, se qualquer um de nós seguir este ano o Ofício de “Tenebrae” (“trevas”), permita que a dor de Jeremias pela Jerusalém arruinada evoque não só a dor da Madre Igreja pela Paixão e Morte de Nosso Divino Salvador; mas também a dor imensurável do Sagrado Coração por um mundo inteiro que se afunda em pecados. Mundo que trará sobre si sua total destruição, a menos que atendamos o pranto lastimoso das “Trevas”: Jerusalém, Jerusalém, volte ao Senhor teu Deus”.

Kyrie eleison.

Richard Williamson

Nenhum comentário:

Postar um comentário