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By Translate Formação Católica

30 julho 2015

SANTA ADELAIDE IMPERATRIZ: HEROÍNA MODELO DE AUTÊNTICA SANTIDADE



Santa Adelaide imperatriz: heroína modelo de autêntica santidade

Sobre Santa Adelaide (931-999), rainha, a respeito da qual Omer Englebert, na “Vida dos Santos”, diz o seguinte:

“Santa Adelaide, foi uma maravilha de graça e de beleza, segundo escreveu Santo Odilon de Cluny que foi seu diretor espiritual e seu biógrafo.

“Filha de Rodolfo II, rei da Borgonha, nasceu em 931, casando-se aos 15 anos com Lotário II, rei da Itália. A filha desse casamento foi, mais tarde, rainha da França.

“Adelaide tinha 18 anos quando seu marido morreu, segundo se crê, envenenado por seu rival Berengário II. Este, em breve, proclamou-se rei da Itália e ofereceu a mão de seu filho à viúva de sua vítima.

“Recusando-se Adelaide a fazer-lhe a vontade, Berengário apoderou-se de seus estados e conservou-a presa no castelo de Garda. Aí sofreu os maiores ultrajes, mas ninguém conseguiu demovê-la.

“Conseguindo fugir, dirigiu-se ao castelo de Canossa, propriedade da Igreja. Dessa fortaleza inexpugnável dirigiu um apelo a Oto I, rei da Germânia, que correu em seu auxílio com um poderoso exército. Cingiu ele a coroa de Itália em Pavia e foi, mais tarde, sagrado imperador em Roma. Entretanto, casava-se com Adelaide.

“O filho desse segundo casamento, Oto II, sucedeu seu pai e a princípio revoltou-se contra sua mãe. Temendo pela vida, ela refugiou-se na Borgonha. Foi então que conheceu Santo Odilon e espalhou benefícios pelos mosteiros franceses.

“Mais tarde, voltando à Alemanha, mandou ao túmulo de São Martinho o mais rico dos mantos usado por seu filho, já então arrependido. “Quando chegardes ao túmulo do glorioso São Martinho”, escreveu ela aquele a quem encarregara dessa missão, “dizei: Bispo de Deus, recebei estes humildes presentes de Adelaide, serva dos servos de Deus, pecadora por natureza e imperatriz pela graça de Deus. Recebei também este manto de Oto, seu filho único. E vós, que tivestes a glória de cobrir com vosso próprio manto Nosso Senhor, na pessoa de um pobre, orai por ele”.

“Logo que pressentiu chegado o seu fim, Adelaide se fez transportar para o mosteiro de Sehl sobre o Reno para morrer e repousar junto ao túmulo de Oto I, o Grande, seu segundo marido”.
O tipo humano de Santa Adelaide é de iluminura medieval. Não é o da santa que vive no convento, no recolhimento e na paz do claustro, mas é da heroína.

A Idade Média é fecunda em heróis e heroínas que passam pelas maiores aventuras e riscos.
Não têm nenhum ideal de Previdência Social, nem de aposentadoria. Eles querem e vivem, no risco, na luta, na incerteza a serviço de uma causa alta e em defesa de direitos efetivos e legítimos. Isso dá à vida o seu sal e o seu sentido.

A sua existência foi uma sucessão de altos e baixos. Ela foi princesa e casou-se com Lotário II, rei da Itália. Aelaide tinha 18 anos quando seu marido morreu e Berengário II tinha mandado, ao que parece, envenenar o seu marido. Ele se proclamou rei da Itália e quis que ela se casasse com um filho dele. Ela deveria, portanto, casar-se com o filho do assassino do seu próprio esposo. Seria uma vida fácil, seria uma vida agradável; ela, certamente, não sofreria o que sofreu.

Ela foi encarcerada e ficou exposta aos piores ultrajes. Mas, de repente, fugiu.
Como isso é diferente da falsa idéia que habitualmente se faz de uma santa!
Segundo essa falsa idéia, a santa presa ficaria sentada de lado, chorando, pensando em tudo menos em fugir. Incapaz de fugir, gordona, com dificuldade em se mover, sem esperteza nenhuma, não sabe iludir os carcereiros, não sabe ter um gesto hábil para pular um obstáculo qualquer e sair correndo.
Mas, essa é uma santa diferente. Ela corresponde à imagem verdadeira dos santos e não à caricatura.
O santo tem as virtudes da fortaleza e da prudência. E com fortaleza e prudência a gente foge de todos os lugares de onde se possa fugir.

Ela foge e liberta-se do tremendo jugo em que estava. E ela soube para onde fugir, porque, em vez de fugir para um lugar qualquer, ela foi para Canossa.
Canossa é a terrível fortaleza da Idade Média. São Gregório VII ali recebeu Henrique IV, que lhe foi beijar os pés pedindo-lhe perdão.

Canossa era um feudo da Igreja que não podia ser invadido por um soberano temporal. Ela ali estava, portanto, inteiramente tranqüila. Ela era boa política. Tinha a inocência da pomba, mas tinha também a astúcia da serpente.

Nesse lugar ela fez uma coisa que também não se esperava numa santa: arranjou um marido e bem escolhido. Ela escreveu para o rei da Germânia, herdeiro presuntivo do imperador do Sacro Império Romano Alemão, pedindo para ele ir defendê-la. Ele foi defendê-la, pediu-a em casamento, se casaram e então começa para ela uma nova vida.

Quantas mudanças nessa vida! Quanta força de alma, denodo, intrepidez! Esas mudanças supunham verdadeira virtude nessa magnífica santidade.
Ele foi sagrado imperador e casaram-se. O filho desse casamento, entretanto, foi mau e começa aí mais outra tragédia. Ele revoltou-se contra sua própria mãe e, por isso, ela teve novamente que fugir. E foi para a Borgonha.

Em Borgonha, ela conheceu Santo Odilon, abade de Cluny. Ela se tornou célebre pelas liberalidades que fez aos conventos de Borgonha.

Mas o seu filho se arrependeu. Deve ter se arrependido pelas prezes dela, porque esse manto do filho que ela mandou para São Martinho tem todo o aspecto de um pagamento de uma promessa. Como quem dissesse a São Martinho: “Se vós me converterdes o filho, eu vos enviarei o manto dele”.
Ela mandou com uma magnífica mensagem. Dessa mensagem, o mais bonito é o título que ela arranjou para si: “Fulana, pecadora por natureza, imperatriz pela graça”.
É um tal contraste de títulos, há uma tal grandeza na simplicidade desse contraste, que mereceria ser o epitáfio dela.
Pecadora por natureza, porque todos os homens, por natureza, são pecadores. Ainda quando são santos e não pecam, na sua natureza são pecadores.
Imperatriz pela graça: ficaria bem num vitral, debaixo da figura nobre, serena, forte dela: “Santa Adelaide, Imperatriz: pecadora por natureza, imperatriz pela graça”.

Que Santa Adelaide nos dê a graça do espírito de luta, de intrepidez e de aventura.
São Tomás de Aquino diz que o supra-sumo da virtude da fortaleza é a agressividade, e que o homem forte é aquele que toma a iniciativa da luta. Quando é necessário, oportuno, criterioso, ele não espera o inimigo vir, mas ele toma a iniciativa, cria a situação e investe contra o inimigo.
Nós devemos pedir ao mesmo tempo esse espírito de prudência, essa sagacidade, essa capacidade de discernir, de perceber, de escolher as situações, de dispor dos meios adequados para chegar aos fins que nós temos em vista.

E, então, nós poderemos, no nosso epitáfio, também ter isso: “Nós fomos lutadores e amamos inclusive o risco, levados não até a temeridade, mas a um extremo que os tontos diriam que é temeridade. Nós teremos sido pecadores por natureza, mas teremos sido, pela graça, soldados intrépidos de Nossa Senhora”.

Fonte: Blog Heróis Medievais.

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