Meu Deus eu Creio, Adoro, Espero e Amo-Vos. Peço-Vos perdão para todos aqueles que não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam.

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By Translate Formação Católica

18 junho 2015

SÃO FRANCISCO DE ASSIS E FREI BERNARDO - HUMILDADE, OBEDIÊNCIA E SERVIDÃO


Como S. Francisco, por um mau pensamento que teve contra Frei Bernardo,
ordenou ao dito Frei Bernardo que por três vezes lhe pisasse a garganta e a boca.

O devotíssimo servo do Crucificado, monsenhor S. Francisco, por causa da aspereza da penitência e contínuo chorar, ficara quase cego e quase não via o lume.

Uma vez, entre outras, partiu do convento, onde estava e foi ao convento onde vivia Frei Bernardo, para com ele falar das coisas divinas: e, chegando ao convento, soube que ele estava na floresta em oração, todo enlevado e absorvido em Deus.

Então S. Francisco foi à floresta e o chamou: "Vem, disse, e fala a este cego"; e Frei Bernardo não lhe respondeu nada, porque, sendo homem de grande contemplação, tinha a mente suspensa e enlevada em Deus, e porque tinha a graça singular de falar de Deus, como S. Francisco tinha por vezes experimentado: e portanto desejava falar com ele.

Depois de algum tempo, chamou-o do mesmo modo, segunda e terceira vez; e de nenhuma vez Frei Bernardo o ouviu, por isso não lhe respondeu e não se foi a ele. Pelo que S. Francisco se partiu um pouco desconsolado; maravilhando-se e lastimando-se só consigo de que Frei Bernardo, chamado por três vezes, não lhe fora ao encontro.

Partindo-se com este pensamento, S. Francisco, quando se afastou um pouco, disse ao seu companheiro: "Espera-me aqui". Distanciou-se para um lugar solitário e, pondo-se em oração, rogava a Deus que lhe revelasse por que Frei Bernardo não lhe havia respondido; e assim estando, veio uma voz de Deus que lhe disse assim:

"Ó pobre homenzinho, por que estás perturbado? deve o homem deixar Deus pela criatura? Frei Bernardo, quando o chamaste, estava junto de mim; e portanto não podia vir ao teu encontro, nem te responder; não te admires, pois, de que ele te não pudesse responder; porque estava tão fora de si que de tuas palavras nada escutou".

Tendo tido S. Francisco esta resposta de Deus, imediatamente com grande pressa voltou a Frei Bernardo, para acusar-se humildemente do pensamento que tivera contra ele.

E Frei Bernardo, vendo-o vir para ele, foi-lhe ao encontro e lançou-se-lhe aos pés. Então S. Francisco o fez levantar-se e referiu-lhe com grande humildade o pensamento e a perturbação que tivera contra ele, e como Deus lhe havia respondido, assim concluindo: "Ordeno-te pela santa obediência que faças o que te mandar".

Temendo Frei Bernardo que S. Francisco lhe ordenasse alguma coisa excessiva, como soía fazer, quis honestamente esquivar-se desta obediência, e assim respondeu: "Estou pronto a obedecer-vos, se me prometerdes de fazer o que eu vos ordenar a vós". E prometendo S. Francisco, Frei Bernardo disse: "Ora, dizei, pai, o que quereis que eu faça".

Então disse S. Francisco: "Ordeno-te pela santa obediência que, para punir a minha presunção e a ousadia do meu coração, quando eu me deitar de costas, me ponhas um pé na garganta e outro na boca e assim passes sobre mim três vezes, envergonhando-me e vituperando-me e especialmente dizendo-me: 'Jaz para aí, vilão filho de Pedro Bernardone: de onde te vem tanta soberba, vilíssima criatura que és?"'
Ouvindo isto, e bem que lhe custasse muito a fazê-lo, no entanto por santa obediência, o mais cortesmente que pôde, realizou o que S. Francisco lhe ordenara.

Isto feito, disse S. Francisco: "Ora, ordena-me o que queres que eu faça; porque te prometi obedecer". Disse Frei Bernardo: "Ordeno-te pela santa obediência que, todas as vezes que estivermos juntos, me repreendas e corrijas asperamente dos meus defeitos".

Do que S. Francisco muito se maravilhou; porque Frei Bernardo era de tanta santidade que ele lhe tinha grande reverência e não o reputava repreensível em coisa nenhuma; e por isso dali em diante S. Francisco evitava de estar muito com ele, pela dita obediência, a fim de não dizer alguma palavra de correção contra ele, o qual reputava de tanta santidade; mas, quando sentia vontade de vê-lo ou de ouvi-lo falar de Deus, dele se separava o mais depressa possível e se partia; e era motivo de grande devoção ver-se com que caridade e reverência e humildade o santo Pai Francisco tratava e falava com Frei Bernardo, seu filho primogênito.

Em louvor e glória de Jesus Cristo e do pobrezinho Francisco. Amém.

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