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By Translate Formação Católica

20 maio 2015

MODÉSTIA E PUDOR

A modéstia deve ser interior e exterior!


Modéstia e Pudor
por Dom Leonardo Maria Pompei

Premissa

Com os termos “pudor” e “modéstia” se faz referência a alguns aspectos particulares da virtude cristã da pureza, sobre a relação que cada um de nós tem com seu próprio corpo – que, como afirmam os sociólogos, filósofos e psicólogos, é um elemento constitutivo e determinante das nossas relações humanas.

O pudor é uma atitude que visa preservar e proteger a intimidade da pessoa e seu corpo, em todos os seus atos; a modéstia, no entanto, refere-se em particular ao modo (daí modéstia) com o qual uma pessoa se veste.

Parece muitas vezes banal, óbvio e retórico afirmar que hoje vivemos em uma sociedade que fez do culto, da ostentação e do comércio do corpo um verdadeiro modo generalizado e compartilhado de ser, fazer e pensar; assim como é notório que a nossa civilização tem sido chamada de “civilização da imagem”, também pela extraordinária difusão e força incisiva dos meios de comunicação sociais: cinema, televisão, internet.

Tudo isto criou uma “cultura” ou, se preferir, “costumes”, impondo comportamentos, modos de fazer e modas no vestir que, embora amplamente praticadas e compartilhadas, são, todavia, absolutamente contrárias à moral católica, como a temos recebido da Sagrada Escritura, do Magistério da Igreja e dos testemunhos dos santos.

Alguém disse que um dos sinais distintivos de um verdadeiro cristão é “nadar contra a corrente”; e dado que os nossos tempos foram autorizadamente definidos como “neo-pagãos”, os seguidores de Jesus devem tomar consciência de estar em uma situação análoga àquela em que nossos irmãos encontraram-se nos três primeiros séculos

Naqueles tempos, imperava uma altíssima imoralidade nos costumes, tanto na parte ocidental do Império Romano quanto no Oriente, na Grécia e na área adjacente a ela, pátria e berço do pensamento ocidental. Neste contexto, os cristãos impuseram, pelo exemplo e com o sacrifício de muitas vidas, um estilo de vida e costumes diametralmente opostos.

Naquela época, se cometiam muitos escândalos e obscenidades, mas, ao que parece, existia uma certa reserva; não havia o grau de ostentação desavergonhada que se pode observar hoje praticamente em qualquer lugar.

Falando de nossos dias, Nossa Senhora de Fátima profetizou de modo lapidar: “Virão certas modas que ofenderão muito a Nosso Senhor” e São Pio de Pietrelcina, quase neste mesmo período, referindo-se aos escândalos e às ofensas ao pudor, dos quais então se podiam apenas entrever alguns tímidos indícios, disse: “Não poderíamos nascer num século pior!”.

Sagrada Escritura e Magistério da Igreja

Ao lado das numerosas passagens do Novo Testamento que condenam explicitamente alguns pecados graves de impureza como a fornicação (isto é, as relações sexuais antes do casamento), o adultério, as relações contrárias à natureza e a homossexualidade (para ver sobre a fornicação, 1 Cor 6,15-20 Gl 5,19-21, Col 3,5-6, Ef 5,3-5; sobre o adultério: Mt 5,27-31; Hb 13,4; sobre as relações contra a natureza, homossexuais ou heterossexuais: Rm 1,24-28; Jd 1:5-7), existem pelo menos duas passagens de São Paulo que advertem severamente para evitar a profanação do próprio corpo.

Estas passagens se encontram na primeira carta aos Coríntios e na primeira carta aos Tessalonicenses: “Irmãos, o corpo não é para a imoralidade, mas para o Senhor.

Não sabeis que vossos corpos são membros de Cristo? Tomarei, então, os membros de Cristo para os fazer membros de uma prostituta? Claro que não!” (1 Cor 6,15), “A vontade de Deus é que vivais consagrados a Ele, que vos afasteis da libertinagem, que cada um saiba usar o próprio corpo na santidade e no respeito, sem se deixar arrastar por paixões libidinosas, como os pagãos que não conhecem a Deus.

Quanto a isto, que ninguém ofenda ou prejudique o irmão, porque o Senhor vinga-se de todas estas coisas, como já dissemos e demos provas. Deus não vos chamou para a imoralidade, mas para a santidade. Portanto, quem despreza estas normas não despreza um homem, mas o próprio Deus, que vos dá o Espírito Santo.” (1 Ts 4:3-8).

Por impudicícia, São Paulo entende a ofensa ao pudor (do latim “pudere”, que significa “ter vergonha”), ou seja, “aquele senso de reserva, vergonha e desconforto com palavras, alusões, atos ou comportamentos que dizem respeito à esfera sexual” (enciclopédia Treccani).

Quando então se viola a reserva devida a tudo que rodeia a esfera sexual com palavras (conversas obscenas), alusões (conversas de duplo sentido), atos ou comportamentos (como se vestir de forma indecente) se peca por impudicícia.

Mais especificamente, o Apóstolo exorta a manter o corpo com santidade e respeito, lembrando que Deus pune severamente (“é o vingador”) qualquer falha relativa a esta matéria; recomendando também para não se enganar ninguém sobre este assunto, de modo a não incorrer, por sua vez, na punição de Deus.

A estes claros e muito explícitos ensinamentos da Sagrada Escritura, se adiciona o testemunho ininterrupto do Magistério da Igreja e dos santos.

No catecismo da Igreja Católica se lê: “O pudor protege o mistério das pessoas e de seu amor. (...)

O pudor é modéstia. Inspira o modo de vestir. Mantém o silêncio ou certa reserva quando se entrevê o risco de uma curiosidade malsã. O pudor, por exemplo, protesta contra a exploração do corpo humano em função de uma curiosidade doentia (como em certo tipo de publicidade), ou contra a solicitação de certos meios de comunicação em ir longe demais na revelação de confidências íntimas.

O pudor inspira um modo de viver que permite resistir às solicitações da moda e à pressão das ideologias dominantes. (...) A permissividade dos costumes se apoia numa concepção errônea da liberdade humana (...) Convém exigir dos responsáveis pela educação que dêem à juventude um ensino respeitoso da verdade, das qualidades do coração e da dignidade moral e espiritual do homem.” (cf. CCC 2522, 2523, 2526).

O Catecismo de São Pio X recordava, com sua simplicidade e clareza habituais, que “o Sexto Mandamento ordena-nos que sejamos castos e modestos nas ações, nos olhares, no porte e nas palavras. O nono Mandamento ordena-nos que sejamos castos e puros, ainda mesmo no nosso íntimo, isto é, na alma e no coração. (...).

Para nos conservarmos castos, devemos evitar a ociosidade, os maus companheiros, as más leituras, a intemperança, o olhar para figuras indecentes, os espetáculos licenciosos, os bailes, as conversas e diversões perigosas, bem como todas as demais ocasiões de pecado” (Catecismo, 428 430).

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