-"Tomás, escreveste bem sobre mim. Que receberás de mim como recompensa pelo teu trabalho?"
-"Senhor, nada senão Vós!"
O MANDAMENTO DA CARIDADE - SANTO TOMÁS DE AQUINO
1. Introdução.
Três coisas são necessárias à salvação do homem, a saber:
- a ciência do que se há de crer,
- a ciência do que se há de desejar,
- e a ciência do que se há de operar.
A primeira nos é ensinada no Credo, onde nos é ensinada a ciência dos artigos da fé. A segunda, no Pai Nosso. A terceira na Lei.
Agora a nossa intenção é acerca da ciência do que se há de operar, para tratar da qual encontramos quatro leis.
- A lei da natureza.
- A lei da concupiscência.
- A lei da Escritura, ou do temor.
- A lei Evangélica, ou do amor.
2. A lei da natureza.
A primeira lei é dita lei da natureza, e esta nada mais é do que a luz da inteligência colocada em nós por Deus, pela qual conhecemos o que devemos agir e o que devemos operar. Esta luz e esta lei Deus a deu ao homem na criação, mas muitos acreditam dela poderem desculpar-se por ignorância se não a observarem. Contra estes diz, porém, o profeta no salmo quarto:
"Muitos dizem: Quem nos mostrará o bem?", como se ignorassem o que é para se operar. Mas o próprio profeta no mesmo lugar responde:
"Sobre nós está assinalada a luz do teu semblante, ó Senhor", luz, a saber, do intelecto, pela qual nos é conhecido o que se deve agir. De fato, ninguém ignora que aquilo que não quer que seja feito a si, não o faça ao outro, e outras tais.
3. A lei da concupiscência.
Posto, porém, que Deus na criação deu ao homem esta lei, a saber, a da natureza, o demônio, todavia, semeou sobre esta uma outra lei, a da concupiscência. Com efeito, até quando no primeiro homem a alma foi submissa a Deus, observando os divinos preceitos, também a carne foi submissa em tudo à alma, ou à razão. Mas depois que o demônio pela tentação afastou o homem da observância dos preceitos divinos, também a carne se tornou desobediente à razão.
